Morre Mineiro da Folha, homem sem parada
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segunda-feira, 04 de julho de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A Folha de Londrina perdeu na noite de anteontem um de seus ex-colaboradores. Alexandre Rocha Filho, ou Mineiro, como todos o conheciam, faleceu às 21 horas, aos 63 anos, no Hospital Evangélico, vítima de falência múltipla de órgãos. Segundo os filhos, o organismo fragilizado por um derrame que o acometeu há 10 anos não resistiu a três pneumonias seguidas.
A história de Mineiro se confunde com a do jornal. Ele chegou à Folha em 1956, oito anos após sua fundação. Foi o sétimo funcionário a ser admitido, na função de entregador. Mais tarde se tornaria linotipista, e posteriormente chefe de circulação. Neste cargo, abriu as primeiras linhas de circulação, e com os anos entrou na área comercial, tornando-se o responsável pela chegada do jornal em mais de 300 municípios do Paraná e outros de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
No final dos anos 60, Mineiro abriu uma empresa com o jornalista Estélio Feldman, e ambos assumiram toda a publicidade e distribuição a Folha. ''Foi a época em que o jornal mais se expandiu'', relembra o jornalista e ex-funcionário Jota Oliveira, um velho companheiro de Mineiro. ''Viajamos muito juntos. Muitas vezes, para ir atrás de notícias que ele havia levantado. O Mineiro foi peça importantíssima para o crescimento da Folha'', completa Jota.
Os filhos Welson Alexandre Rocha e William dos Santos Rocha contam que a grande alegria do pai era ser chamado de ''Mineiro da Folha''. Foram 46 anos de dedicação. ''Para ele, o Milanez (João Milanez, fundador da Folha) era um pai'', revelam os filhos.
E foi com o mesmo carinho que se deposita em um filho que o fundador se referiu ao ex-funcionário, momentos depois de seu enterro, realizado no final da tarde de ontem no Cemitério São Pedro (Área Central). ''Ele cresceu por seus próprios méritos. Uma prova de como era querido foi a quantidade de gente que compareceu ao seu enterro. Muitos vieram de longe para uma última homenagem'', disse o fundador. Segundo ele, Mineiro não media esforços e tinha noção da importância da notícia. ''Ele era totalmente integrado à empresa''.
Para outros profissionais que o conheceram de perto, ficou a imagem de um homem que não parava nunca. ''Jamais tivemos tempo de tomar um café juntos, a não ser depois que ele não estava mais na Folha. Eu só o via trabalhando'', relembra Osvaldo Militão. Já o ex-diretor Walmor Macarini diz que Mineiro foi uma das pessoas mais honestas que conheceu. ''E não o era por algum princípio religioso, mas espontaneamente. Isto era nele um estado natural.''


