Morre menino internado após ser vacinado
Felipe de Oliveira Cichini, de cinco meses, estava no HU desde o dia 19 de outubro, depois de ser vacinado em posto de saúde
Dorico da SilvaVELÓRIOO corpo do menino Felipe foi enterrado ontem à tarde. Na foto, cenas do velório. No detalhe, o menino
Lino Ramos
De Londrina
Foi sepultado ontem à tarde no Cemitério Padre José de Anchieta (zona leste de Londrina) o corpo de Felipe de Oliveira Cichini, de cinco meses. O menino estava internado no Hospital Universitário desde o dia 19 de outubro, quando foi vacinado na Unidade Básica de Saúde do Conjunto Vivi Xavier (zona norte).
De acordo com a mãe do garoto, Patrícia de Oliveira Cichini, Felipe passou mal após receber as vacinas tríplice (DPT), anti-haemóphilus (meningite por haemóphilus influenzae tipo B) e a dose contra a hepatite. Por volta das 21h30 do mesmo dia, Felipe deu entrada no HU com um quadro convulsivo grave, foi levado à Unidade de Terapia Intensiva e morreu no início da madrugada de ontem.
Com base nas informações da auxiliar de enfermagen do posto de saúde, o departamento de Epidemiolgia da Secretaria de Saúde de Londrina alegou que Felipe teria recebido apenas a vacina anti-haemóphilus. A funcionária também teria se equivocado ao informar à mãe que a criança recebera a vacina DPT e se esqueceu de aplicar a dose contra a hepatite, como estava previsto. Uma sindicância interna está sendo instaurada para investigar o caso.
Muito abalado, o pai de Felipe, Francisco Cichini, de 25 anos, preferiu não comentar ontem à tarde se a família irá entrar na Justiça contra o Município. Segundo ele os médicos disseram que os pulmões do menino pararam de funcionar.
Segundo o chefe do setor de Neuropediatria do HU, Aparecido José Andrade, a tomografia feita em Felipe Cichini mostrou lesões pela falta de oxigênio no cérebro. O neurologista pediu uma série de exames para saber se Felipe teve alguma doença metabólica. Eu ainda não recebi os exames mas posso assegurar que não houve, afirmou.
Aparecido Andrade disse que já atendeu duas crianças com quadros parecidos provocados por reações à vacina DPT, sendo que uma delas ficou com sequelas motoras e mentais, além de apresentar quadros de convulsões.
Na opinião de Gerson Zanetta de Lima, responsável pelo Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie) do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina, os sintomas apresentados não são de uma reação vacinal, mesmo que a criança tivesse tomado as três doses.
Lima adiantou que existem doenças cerebrais graves que podem provocar os sintomas sofridos por Felipe e que se manifestam até os seis meses de vida. Segundo ele, até o final da década de 70 houve reações graves causadas pela DPT e a população deixou de tomar a vacina com medo de sofrer doenças neurológicas. Com isso em 1979, pelo menos 25 pessoas morreram de coqueluche na Inglaterra. As mães podem e devem continuar vacinando seus filhos, o risco de uma reação vacinal é menor que o risco de se atravessar uma rua, alertou





