Morre menina baleada acidentalmente
Mauricio Della Barba
De Londrina
A menina H.C.S., de 11 anos, baleada acidentalmente na cabeça pelo irmão D.R.S., 17 anos, na semana passada, não resistiu aos ferimentos e morreu anteontem à noite, na Santa Casa de Londrina, onde estava internada. Os pais da menina decidiram autorizar a doação de todos os órgãos da criança.
H.C.S ficou internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa durante os últimos quatro dias. Ontem, a Central de Transplantes realizava os exames de compatibilidade para levantar os possíveis receptores dos órgãos da menina.
Serão aproveitados o coração, rins, fígado e uma córnea de H.C.S.. O coração será parcialmente aproveitado, pois não há receptor compatível com a idade e o tamanho do órgão, disse Ogli Beatriz Bacchi de Souza, representante da Central de Transplantes.
No entanto, a maior preocupação da equipe da Central de Transplantes era em relação ao transplante do fígado. Segundo a representante, o fígado é um órgão delicado e capaz de resistir apenas seis horas após a sua retirada. Possivelmente isto será feito na madrugada deste domingo, explicou Ogli. A lista de receptores de fígado é estadual e por isso é centralizada em Curitiba.
Já os receptores dos dois rins que pode durar até 36 horas depois de sua retirada e de uma das córneas (duram 7 dias) de H.C.S. estão em uma lista regional de Londrina. A Central de Transplantes ainda estudava a viabilização do aproveitamento dos ossos e da pele da menor. Possivelmente isto não seria possível em virtude da idade dela, que estava em fase de crescimento.
A expectativa da Central é de que pelo menos um transplante possivelmente o do fígado fosse realizado ainda hoje. Estamos aguardando o resultado dos exames para iniciar a busca e a preparação dos receptores compatíveis, disse Ogli de Souza.
O acidente que causou a morte de H.C.S ocorreu na última segunda-feira, no Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina). Segundo a família, H.C.S. teria sido atingida quando o irmão D.R.S. limpava a arma no quarto um revólver calibre 32. No local estavam a menina que foi atingida na cabeça e a sobrinha do rapaz, de um ano de idade. No momento do disparo apenas quatro menores estavam na residência.
A outra prima que cuidava das crianças se encontrava na cozinha no momento do disparo. O tiro perfurou o olho direito de H.C.S., que perdeu parte da massa encefálica e foi atendida no local do acidente pela equipe de médicos do Siate.
O irmão, autor do disparo acidental, saiu desesperado pela rua do bairro e está desaparecido. O caso está sendo investigado pelo 4º Distrito Policial de Londrina. Por ser menor, D.R.S. deverá ser acusado por homicídio e julgado pela Vara da Infância e Juventude.
De acordo com as informações da família, o irmão de H.C.S. vivia com uma companheira em outra casa no mesmo bairro, no União da Vitória, e possui uma filha recém-nascida. Os pais dos dois menores disseram desconhecer a existência da arma em casa. Ainda abalados, não quiseram dar entrevistas aos veículos de comunicação.





