Morre Marta, uma das irmãs siamesas
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de janeiro de 1997
Lucília Okamura 
Dorico da SilvaEMOÇÃOO corpo de Marta foi sepultado ontem, no Cemitério Jardim da Saudade: Maria ainda não sabia da morte da irmã
Arquivo/FolhaMarta Regina era a mais frágil das duas irmãs
Marta Regina de Sá, 26 anos, irmã siamesa de Maria Madalena, morreu anteontem à tarde, na Santa Casa de Londrina. O caso das irmãs siamesas, que nasceram ligadas pela região pubiana e foram separadas seis meses depois, ficou conhecido nacionalmente. O enterro aconteceu ontem à tarde, no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte), sem a presença de Maria, que, segundo familiares, está em Castro (Sul do Estado).
A mãe das gêmeas, Isabela Bocon, conta que Marta sempre foi a mais frágil das duas. Ela tinha problema de coração e sofria de bronquite e pneumonia, relata. O irmão dela, Luis Rodrigues de Sá, diz que, há três meses, Marta e Maria estavam passeando por uma rua em Arapongas, onde a primeira sofreu uma parada cardíaca. Segundo ele, Marta ficou internada no Hospital João de Freitas, em Arapongas, durante 45 dias. Ela estava em coma, observa.
Em seguida, Marta foi transferida para a Santa Casa. Isabela Bocon conta que estava ao lado da filha quando ela morreu. Ela me chamou baixinho quatro vezes, antes de morrer, lembra, emocionada. O enterro, que aconteceu às 15h30, foi acompanhado por cerca de 30 pessoas, entre familiares e amigos.
Isabela Bocon diz que está preocupada com a outra filha, Maria, que ainda não sabe da morte da irmã. Não sei o que vai acontecer quando ela descobrir que a Marta morreu, explica. Luis de Sá conta que procurou por Maria, mas ficou sabendo por conhecidos que ela está em Castro, com seu companheiro.
Segundo os familiares, há quatro anos Maria saiu da casa de sua mãe, no jardim Leonor (zona oeste), para morar com seu companheiro. Um ano depois, Marta resolveu seguir a irmã. Luis de Sá observa que Marta visitava a família frequentemente, mas Maria sempre esteve mais distante.
Toda vez que recebia a visita de Marta, Isabela Bocon pedia para que ela voltasse para casa. Mas ela dizia que não podia deixar a irmã, ressalta. Ela conta que as duas sempre ficavam juntas e se davam bem. Às vezes brigavam, mas logo ficavam de bem e se abraçavam, comenta a mãe das irmãs siamesas.
O irmão das gêmeas explica que, quando Marta estava internada em Arapongas, Maria aparecia diariamente no hospital. Ele lembra que os funcionários do hospital tiveram problemas com Maria, porque ela insistia em permanecer ao lado da irmã, mesmo fora do horário de visitas. Na Santa Casa, Maria teria aparecido algumas vezes.
Em maio de 1993, Maria teve um filho, Carlos Henrique, que vive com a avó desde aquela época. A mulher de Luis, Vanilde de Sá, comenta: Ele é saudável e muito inteligente.


