Morreu ontem mais uma vítima da queda de uma marquise na entrada do Anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), na tarde do último domingo. Amanda Lucas Gimeno, de 22 anos, sofreu traumatismo craniano grave e estava sedada, respirando por aparelhos, desde o dia do desabamento. Na segunda-feira ela havia sido submetida a uma segunda cirurgia, para novo monitoramento da pressão intracraniana.
Os médicos da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário (HU) anunciaram a morte encefálica da estudante às 16h30. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, pai e irmãos (ela não tinha mãe) passaram a semana em Londrina, acompanhando o seu estado de saúde. Amanda era formada em Biologia pela Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto. Seu corpo deverá seguir hoje para Itirapina (SP), onde mora a família.
Amanda é a segunda vítima fatal do acidente. Na hora em que a laje da marquise desabou foi morto no local João César Eugênio de Boscoli Rios, 21 anos, aluno de Biologia, também da USP de Ribeirão. Ele e Amanda estavam entre as dezenas de estudantes que faziam inscrições e retiravam materiais do 26º Congresso Brasileiro de Zoologia, que termina hoje na universidade. Segundo testemunhas, o acidente aconteceu às 17h20. Um culto ecumênico foi celebrado ontem à noite no Anfiteatro do Centro de Ciências Biológicas da UEL para homenagear os estudantes mortos no desabamento e orar pelas vítimas que ainda estão hospitalizadas.
No total, o desabamento feriu 23 pessoas. Quatro delas continuam internadas em Londrina. Na Santa Casa permanece Claire Clara Borges Jézéquel, também de Ribeirão Preto (SP), que teve parte da perna direita amputada e recupera-se da cirurgia. Anteontem a estudante Carla Brunieri, 19 anos, foi transferida para o Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto, onde reside. Ela teve fratura na bacia e encontra-se em repouso absoluto.
Entre as vítimas que ainda permanecem no HU estão João Paulo Basso Alves, 20 anos, de Bandeiras do Sul (MG), que ontem de manhã foi submetido a nova cirugria para limpeza do local onde houve a amputação de parte da perna direita. O estudante também sofreu politraumatismo, mas seu estado de saúde é regular.
Também continuam internados Edson Santana da Silva, 40 anos, funcionário da UEL, que teve fratura no tornozelo direito (estado regular) e Leandro de Oliveira Drumont, 22 anos, de Belo Horizonte (MG), também com fratura no pé direito (estado regular).
Nicolle Veiga Sydney, 20 anos, que sofreu fratura da bacia e trauma de abdômen, foi transferida ontem para Curitiba, a pedido da família. Seu estado é grave. Carolina Rettondini Laurini, 20 anos, encontra-se fora de perigo e foi transferida para o Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto, com fratura no pé direito.
O Instituto de Criminalística e uma comissão interna de sindicância continuam a levantar dados para apurar as causas da queda da marquise. Ontem os peritos da polícia científica iriam levantar a laje para continuar as investigações, mas por causa da chuva a operação, que deverá ser feita por um guindaste, foi adiada. ''A umidade deixa a laje escorregadia, aumentando o risco de queda. Se amanhã (hoje) o tempo estiver melhor, providenciamos a remoção'', informou o perito-chefe da Criminalísitca, Daniel Felipetto.
Ele explicou que serão verificadas as condições das hastes que fixavam a marquise ao pilar. Uma das hipóteses é que uma delas tenha se rompido (veja box nesta página). Também será examinada a fundação da obra, pois outra hipótese é que algum erro nos alicerces tenha feito o pilar de sustentação e movimentar. A terceira possibilidade é o acúmulo de água na parte dianteira da laje, o que explicaria por que a marquise tombou primeiro para frente, fato já constatado pelos peritos.

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