Morreu anteontem em Londrina o atleta Willian Vagner, 19, vítima do acidente que envolveu um microônibus ocupado pela equipe junior de handebol do Clube Recreativo Chapecoense, de Chapecó (SC). Ele foi atropelado na BR-369, em Campo Mourão, na última terça-feira, quando tentava prestar socorro aos colegas feridos na colisão entre o veículo que ocupavam e um ônibus. A equipe viajava com destino à Maringá, onde disputaria o Campeonato Brasileiro Junior de handebol. Atendendo a vontade do atleta, a família doou todos os órgãos.
Vagner é a oitava vítima do acidente que matou outros cinco integrantes da delegação. Ele sofreu traumatismo craniano e tinha sido transferido para Londrina na quarta-feira, após a equipe de socorro que o transportava não ter conseguido pousar o avião em Curitiba por falta de teto. Dois atletas continuam internados na Central Hospitalar de Campo Mourão, em observação.
A enfermeira Ogle Beatriz Bacchi de Souza, responsável técnica pela Central de Transplantes da Regional Norte do Paraná, informou que a família não teve dúvidas em autorizar a doação dos órgãos. ''Era uma vontade expressa do Willian'', relatou.
Até ontem, pelo menos quatro pessoas da região já tinham sido encaminhadas para receber as córneas e os rins retirados do atleta. A doação dos ossos, segundo Ogle, é a que beneficiará maior número de pessoas. Essa parte do corpo é utilizada em pacientes vítimas de câncer, osteomelite e que precisam revisar próteses de quadril, entre outras funções.
''Os ossos podem ser transplantados em até cinco anos, mas nuncam ficam guardados durante todo esse tempo porque o índice de doação é baixo'', explicou. Os rins constituem os órgãos que precisam ser transplantados com mais rapidez: no máximo 24 horas.
Por causa da exposição a drogas vasoativas - cuja finalidade é melhorar os níveis de pressão sanguínea - durante o tratamento, o coração não pode ser doado. As válvulas do órgão, entretanto, poderão beneficiar quatro pacientes.
Ogle afirmou que atitudes com a da família de Vagner, que autorizou a doação de todos os órgãos, tecidos e ossos passíveis de serem transplantados, são pouco comuns. Segundo ela, muitas pessoas ainda não compreendem a morte encefálica (cerebral) como um fenômeno irreversível. ''As famílias sempre esperam um milagre'', comentou.
O rapaz será enterrado hoje, às 10 horas, no cemitério Jardim do Eden, em Chapecó. O velório estava sendo realizado no Ginásio de Esportes do município.

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