Morre mais um preso da PCE
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segunda-feira, 01 de abril de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Outro preso ferido durante tiroteio na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, Região Metropolitana de Curitiba, no final da tarde de domingo, acabou morrendo na madrugada de ontem. João Batista Padilha Claudino conhecido como Macaquinho, 39 anos, só foi encontrado por volta das 22 horas cinco horas depois do início da confusão, escondido dentro de sua cela. Foi encaminhado ao Complexo Médico Penal (CMP) com um tiro no maxilar inferior e não resistiu ao ferimento.
Daniel Alves Coutinho, 21, atingido por três disparos, teve morte instantânea. Outros seis internos Jair Correia da Silva, 25, Menegildo Oliveira Teles, 29, Jeferson Rodrigues de Oliveira, 21, José Alexandre da Silva, 25, e Osmir Araújo e Wanderlei Dias dos Santos, 26, ficaram feridos. Esses presos respondem a penas de três a 28 anos de detenção por furto qualificado, latrocínio (roubo seguido de morte) e estelionato.
O diretor da PCE, coronel João Krainski Neto, trabalha com duas versões para o conflito ocorrido no domingo tentativa de rebelião ou briga entre facções criminosas. Para o diretor, um princípio de motim não pode ser descartado, já que o agente penitenciário Ismael Meira foi tomado como refém, no momento em que recolhia os presos da 10ª galeria.
Meira não conseguiu identificar quem o agarrou, pois foi surpreendido pelas costas. Ao se livrar do preso saiu da galeria e, em seguida, começou o tiroteio. Segundo Krainski, a atuação rápida dos policiais militares que fazem a guarda da PCE desde a última rebelião, em junho do ano passado, evitou que o motim tomasse proporções maiores.
Com a situação sob controle, os PMs iniciaram uma operação pente-fino nas celas em busca das armas. Apenas uma pistola calibre 6.35 foi encontrada, mas há suspeita de que outras armas de fogo continuem de posse dos internos. Os funcionários do presídio afirmaram ter ouvido, pelo menos, 14 disparos e a arma apreendida tinha 11 cápsulas intactas. A pistola estava com Jair Correia da Silva, um dos presos feridos.
Krainski informou que durante a revista foram encontrados dois telefones celulares, vários estoques (espécie de faca de fabricação caseira) e pequenos embrulhos de maconha. Como as armas entraram na PCE, quem começou o tiroteio e as razões do conflito só serão apurados durante as investigações. Suspeita-se de que as armas e celulares sejam remanescentes do motim do ano passado, que durou seis dias e deixou um saldo de três presos e um agente penitenciário mortos.


