Mauricio Della Barba
De Londrina
O portador de leucemia melóide crônica, Edeílson Fernandes, de 32 anos, morreu ontem pela manhã no Hospital Nossa Senhora das Graças em Curitiba, depois de esperar por seis meses um transplante de medula óssea, sua única esperança de vida.
Edeílson ficou internado 34 dias no Hospital Evangélico, em Londrina. Na semana passada, quando estava em casa, seu estado de saúde agravou-se e a família decidiu que transferi-lo para o hospital de Curitiba, onde haveria maiores recursos para o tratamento de doentes leucêmicos. Ao chegar no Hospital, no domingo à noite, Edeílson teve que ser internado diretamente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A família do londrinense lutava para conseguir arrecadar R$ 100 mil necessários para a realização do transplante. No mesmo domingo, quando Edeílson teve uma recaída, familiares e amigos realizaram um bingo na tentativa de arrecadar o dinheiro necessário. Também na semana passada, uma iniciativa da Câmara dos Vereadores e da Sercomtel chegou a viabilizar dois números de telefones para angariar doações da comunidade. ‘‘Havia um possível doador na Suécia, mas para conseguirmos prosseguir com os exames confirmatórios eram necessários os US$ 50 mil (R$ 100 mil)’’, disse a esposa de Edeílson, Solange Aparecida Fernandes.
Ontem à noite, o corpo de Edeílson era esperado na capela do Cemitério Parque das Oliveiras por familiares e amigos. ‘‘Nessa hora é difícil falar. Mas temos que tentar conscientizar a todos que procurem se cadastrar nos bancos de dados de medula. É tão simples para quem doa e tão grande para quem recebe’’, disse a cunhada de Edeílson, Rosângela Fernandes. O sepultamento de Edeílson está marcado para hoje de manhã no Parque das Oliveiras.
A história do caso de Edeílson foi publicada na Folha em uma reportagem especial no dia 19 de setembro, sobre a campanha nacional de doação de órgãos, iniciada no dia 27 do mesmo mês. Na época, Edeílson encontrava-se internado há um mês no Hospital Evangélico e a família havia conseguido na Justiça que o INSS arcasse com os custos da busca. A demora burocrática na liberação do dinheiro dificultou a realização do transplante.
O transplante de medula óssea é um dos mais difíceis de ser efetivado, por causa do problema de compatibilidade entre as medulas do doador e receptor. A chance de encontrar uma medula compatível pode chegar a ser de uma em mais de 100 mil. Edeílson tinha dois filhos.Foram seis meses de espera pelo transplante. Família fez campanha mas não conseguiu dinheiro para confirmar doador na Suécia
Dorico da SilvaESPERANÇAEdeílson Fernandes com os familiares, em foto feita no mês passado, no Hospital Evangélico: à espera de doador

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