Foi enterrado no final da tarde de anteontem o jogador de futebol Raphael Bezerra da Silva, 20 anos. Ele estava na UTI do Hospital Universitário desde o dia 15 de novembro, quando foi baleado por policiais da ®MDNM¯Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), em uma casa no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste).
Ontem, o advogado da família, Homero Rocha, disse que está estudando o processo e apenas adiantou que terá modificações. ''Trabalhávamos com uma ação de tentativa de homicídio que agora se configura como tal. Queremos provar que houve uma execução'', afirmou. O advogado informou ainda que está marcada para o próximo dia 4 de janeiro uma audiência de esclarecimentos no Fórum de Londrina.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, informou que até o final desta semana deverá ser concluído o inquérito militar que está sendo conduzido pelo Comando Geral da PM, em Curitiba. O processo deverá ser encaminhado para uma auditoria no Ministério Público, que deverá avaliar a quem compete o julgamento, se à Justiça Militar ou à Justiça Comum.
No dia do crime, os policiais militares haviam sido chamados para deter o suspeito de um assalto e teriam disparado contra o jogador porque ele teria reagido quando a equipe da Rone chegou. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal (IML), Raphael foi atingido com pelo nove tiros. No corpo do rapaz os legistas encontraram 13 perfurações de bala. O jogador foi autuado por porte ilegal de arma, apesar de duas testemunhas terem informado que Raphael não estava armado e não reagiu quando a equipe da Rone chegou.
A luta da família - Após a luta para tentar salvar Raphael, a família agora está preocupada em esclarecer as circunstâncias do crime. José Carlos da Silva, 47, o Zequinha, pai da vítima, reuniu documentos que comprovariam, além da inocência do filho, falha em laudos periciais. De acordo com o advogado, pode ter existido incompetência dos elaboradores dos estudos técnicos. ''Vamos provar, pela honra do Rapahael, que ele não participou de assalto nenhum e que não estava armado'', salientou Rocha.
Em depoimento à Justiça, o assaltante Thiarles Fernando da Silva, 18 anos, negou que Raphael tenha participado do assalto a um Celta na madrugada de 15 de novembro na Área Central de Londrina. A Polícia Militar abordou Rapahael porque um macaco e um pneu do veículo roubado estavam em frente à casa onde ele estava com amigos.
Os familiares de Rafael estão indignados com a polícia. ''O pior é que os policiais que praticaram esta ação estão nas ruas, trabalhando. Eles deveriam ser afastados para que não estejam em contato com o povo'', opinou Zequinha.
Zequinha também obteve cópia do laudo de lesões corporais do Instituto Médico Legal (IML), que comprova que ele foi arrastado pelos policiais antes da chegada do Siate.
Outro documento importante é a declaração dos donos do Celta, que não reconheceram Raphael como um dos assaltantes.
Segundo Zequinha, o número de série da arma que estaria com Raphael não existe nos registros da polícia. O revólver também não estava com a numeração raspada, como é praxe entre criminosos.
Outra informação policial questionada é sobre o local do crime. A polícia informou inicilmente tratar-se de um ''mocó.'' A proprietária da casa, no entanto, teria provado que o imóvel está desocupado para ser vendido e estava sendo cuidado por um amigo de Raphael.®MDNM¯ (colaborou Fernando Rocha Faro)

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