Morre idosa que estava em asilo interditado
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segunda-feira, 01 de março de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A assistente social do Ministério Público (MP), Maria Giselda Lima, deve entregar hoje ao promotor de Defesa do Idoso, Tiago de Oliveira Gerardi, um relatório sobre a situação de quatro idosos que estavam no asilo Ebenézer, no Jardim Itapoá (Zona Sul de Londrina), e que foram hospitalizados após o fechamento do local. Destes idosos, Lourdes Maria Silva Alves, 87 anos, morreu na tarde do último sábado no Hospital da Zona Sul (HZS).
O Ebenézer foi fechado na última quinta-feira por decisão da Justiça, após denúncias da Vigilância Sanitária municipal e do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) de que o atendimento aos idosos estava comprometido por problemas de estrutura no prédio e pela falta de profissionais qualificados. Anteriormente, no dia 10 de fevereiro, a Vigilância havia interditado cautelarmente o local, proibindo que o asilo recebesse mais idosos.
Segundo Giselda, o atendimento dado a Lourdes no asilo será investigado. A assistente mostrou à Folha cópia da ficha da idosa no Ebenézer, cedida pela Secretaria Municipal do Idoso. O documento aponta que Lourdes deu entrada no asilo no último dia 20 após a interdição cautelar. O relatório dia a dia do estado de saúde da idosa indicaria que, entre os dias 21 e 26, data do fechamento do asilo, Lourdes se recusou a comer, sofreu com náuseas e diarréia, e não tomou medicamentos apenas no dia 24 lhe foi administrado soro.
''A lista de medicamentos na ficha está em branco'', informou Giselda. ''O asilo não poderia ter recebido (Lourdes) devido à interdição cautelar, e há indícios de que ela não recebeu o atendimento correto'', concordou Luci Mara Resende, assistente social da Secretaria do Idoso. ''Ela sofria de problemas renais crônicos e estava com forte diarréia. Necessitava de atendimento especial.''
De acordo com o diretor clínico do HZS, Ronaldo Paiva, as causas da morte de Lourdes foram peritonite (infecção na região abdominal) e insuficiência renal. Ele não soube apontar se o estado de saúde da idosa pode ter sido agravado pelo mau atendimento. ''Não tivemos acesso a informações anteriores sobre o estado dela.''
O promotor afirmou que irá aguardar o relatório para ''analisar as circunstâncias'' do atendimento dado à idosa e que ''existe a possibilidade'' de denúncia na área criminal.
Segundo o gerente da Vigilância Sanitária, Marcelo Viana de Castro, o desrespeito à interdição cautelar irá pesar no resultado do processo administrativo que analisa as condições do Ebenézer. A Vigilância teve acesso à informação de que mais um idoso além de Lourdes foi recebido pelo asilo após o dia 10 de fevereiro. ''As penalidades cabíveis (pelo processo) vão de advertência a interdição definitiva do local'', comentou.
Segundo Luci, dos outros três idosos que foram hospitalizados após o fechamento do Ebenézer, dois já haviam sido liberados até a tarde de ontem. O terceiro seria um idoso de 80 anos, que havia sido levado para a casa da família, mas teve que ser encaminhado ontem para a Santa Casa, com diarréia e fraqueza. Além deles, uma senhora de 81 anos foi internada no HZS no dia 24, com fratura em um fêmur, infecção urinária e pneumonia, e permanece hospitalizada.


