Exatamente dois meses depois de submeter-se a uma técnica rara de transplante de coração, faleceu na madrugada da última segunda-feira em Londrina o aposentado José Paulo Biazetto, de 52 anos. Ele ficou conhecido por ter passado a viver com dois corações. Biazetto foi o primeiro paciente londrinense e o quinto no País a receber um coração de apoio, sem a retirada do coração original. A técnica é chamada de transplante heterotópico, e foi utilizada pela equipe do cirurgião cardíaco Roberto Takeda, na Santa Casa de Londrina.
Na época da cirurgia, Biazetto, vítima de miocardiopatia dilatada, era portador de três pontes de safena e uma mamária, e tinha uma expectativa de vida de seis meses. Com a cirurgia, ele passou a ter 75% de chances de sobreviver nos próximos cinco anos. Porém houve rejeição ao novo órgão, que se manifestou através de problemas pulmonares. No dia 1º de julho, o aposentado foi internado na Santa Casa com falta de ar e má circulação. O quadro se agravou e ele faleceu por insuficiência cardíaca.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a rejeição ao órgão transplantado pode se manifestar de várias formas, e no caso de Biazetto foi detectada através dos pulmões. Nos primeiros meses após a cirurgia a possibilidade de rejeição é maior, e para o resto da vida o paciente é acompanhado pela equipe médica, que faz biópsias periódicas para checar a aceitação do novo órgão pelo organismo.
Confiante no sucesso do transplante feito em Biazetto, o cirurgião Roberto Takeda explicou, na época, que a técnica heterotópica foi a única saída para a falta de um doador com peso compatível com o do paciente, que tinha 1,92 metro e, depois de emagrecer quase 20 quilos, ainda continuava com 104 quilos. O doador do coração transplantado, um homem de 38 anos que morreu em um acidente, pesava menos de 80 quilos. Takeda ressaltou, porém, que a cirurgia oferecia os mesmos riscos de um transplante convencional, como rejeição e possibilidade de infecção.

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