Após seis dias internado no Hospital Universitário de Londrina, faleceu no início da manhã de ontem o supervisor Sebastião Dimas do Nascimento, 43 anos. Na noite de 1º de maio, enquanto ajudava uma amiga que havia sofrido um acidente na PR-445 (Zona Sul), ele foi atropelado e teve as pernas esmagadas. A Polícia Civil aguarda resultado do laudo de necropsia para definir se o autor do atropelamento será indiciado por lesão corporal seguida de morte ou homicídio culposo (não intencional).
Conforme relato de familiares e das polícias Militar e Civil, Sebastião e a esposa voltavam para casa depois de passarem algumas horas em um shopping de Londrina. Era início da noite e chovia. Pouco antes do viaduto de acesso ao campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o casal percebeu que a amiga Simone Nepomuceno de Souza, 25 anos, que conduzia um Fusca, tinha se envolvido em um acidente com um Escort, dirigido por Reinaldo Lopes, 36 anos. Ambos sofreram ferimentos assim como uma jovem de 19 anos que estava no Escort, mas todos estavam fora de perigo. Viaturas do Siate e do Samu já prestavam socorro às vitimas.
Ainda de acordo com as testemunhas, Nascimento e a esposa decidiram parar para prestar assistência à amiga. O local do acidente foi sinalizado com um triângulo e eles estavam no meio da pista juntamente com socorristas do Siate e algumas outras pessoas. A Polícia Rodoviária Estadual ainda não havia chegado ao local. Segundo a polícia, o motorista de um Gol ignorou a sinalização e atropelou Nascimento, que ainda teve as pernas prensadas contra o Fusca. Ele sofreu fraturas expostas gravíssimas e traumatismo craniano. Em entrevista no local, o motorista admitiu que havia saído de uma festa e alegou que não havia visto o triângulo que alertava sobre o acidente.
Socorrido imediatamente por um médico do Samu, Nascimento foi encaminhado consciente para o Hospital Universitário. Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde então, ele faleceu ontem por volta das 6 horas. Nascimento deixou a esposa e dois filhos. O velório está sendo realizado em Cambé e sepultamento acontece hoje, às 10 horas, no Cemitério Municipal.
O condutor do Gol foi detido pela Polícia Militar, se recusou a fazer o teste de dosagem alcoólica mas mesmo assim foi autuado pelo delegado de plantão, Manoel Pelisson, por lesão corporal e embriaguez ao volante. Ele foi liberado após pagar fiança. Ontem, o delegado informou que aguardava o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para definir se o motorista será indiciado pela lesão seguida de morte ou por homicídio culposo. ''Tudo vai depender do que apontar o laudo com a causa da morte. Infelizmente, é isso que diz a lei'', explicou Pelisson.
Para a família, restou a dor da perda e a revolta provocada pela forma que aconteceu o acidente. ''Parece que tudo ainda não é realidade. Estamos todos em choque'', lamentou um dos seis irmãos, Paulo Afonso do Nascimento, 52 anos. Ele disse que parte dos familiares não se conforma com os fatos mas, particularmente, quer unicamente que a Justiça prevaleça. ''Quero que aconteça o que tiver que acontecer com ele (atropelador). Que seja feita Justiça e que talvez ele nunca mais possa dirigir'', comentou.

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