MEMÓRIA -

Morre fundadora do Bazar Ajimura em Londrina

Aos 101 anos, Tokiko Ajimura deixa história de muito trabalho e amor pelo ofício

Laís Taine - Grupo Folha
Laís Taine - Grupo Folha

Em 1948, uma família de japoneses instalava um bazar na rua Sergipe, Centro de Londrina. O Bazar Ajimura se mantém ativo até hoje, somando 71 anos de história. Tokiko Ajimura, a matriarca da família que faleceu na manhã desta quinta-feira (7), aos 101 anos de idade. Ela deixa seis filhos, 13 netos e uma história de muito trabalho e amor pelo ofício. 



Tokiko Ajimura sempre esteve na liderança do tradicional Bazar Ajimura, localizado há 71 anos na rua Sergipe, em Londrina
Tokiko Ajimura sempre esteve na liderança do tradicional Bazar Ajimura, localizado há 71 anos na rua Sergipe, em Londrina | Marcos Zanutto - Grupo Folha
 



Nascida no Japão, Tokiko chegou ao Brasil aos 11 anos e foi trabalhar na lavoura com os pais. Em 1948, a família decidiu abrir um bazar no Centro de Londrina. “Eles tinham família aqui e meu pai achou que seria viável abrir uma loja de aviamentos na cidade”, conta Tadamassa Ajimura, 79, filho e responsável pelo bazar hoje. A loja mudou de endereço nove anos depois, continuando na rua Sergipe, onde está localizada até hoje. 




Acompanhando os pais desde os sete anos no bazar, Tadamassa revela que a mãe sempre fez questão de estar presente no negócio. “Ela era o carro-chefe, em matéria de bazar, ela que vasculhava tudo, fazia compras através de representantes, o bazar seguiu graças à minha mãe que comandou o comércio até pouco tempo atrás”, revela com orgulho. 


Mesmo impossibilitada de andar por conta de uma queda que levou a fraturar o fêmur, ela continuou indo ao trabalho. “Nos últimos cinco anos ela andou caindo, ficou doente, então parou de vir para cá, mas essa última queda que ela não quis mais andar, de vez em quando a gente a levava para a loja de cadeira de rodas. Até no meio deste ano ela estava indo todos os dias na cadeira de rodas”, recorda. “Ela gostava muito, o bazar foi uma vida para ela”, acrescenta. 


Tanto tempo atrás dos balcões, Tokiko atendeu muitos clientes, o que a  tornou conhecida na cidade. “Ela é muito conhecida, principalmente por senhoras que compravam. Como em uns meses ela não aparecia na loja, muitas perguntavam ‘cadê aquela senhora?’”, ri o filho.  


Foram 101 anos muito dedicados ao trabalho, ultrapassando gerações. Na noite de quarta-feira (6), Tokiko passou mal e foi para o Hospital Evangélico, onde não resistiu e acabou falecendo. Ela deixa seis filhos, 13 netos e uma história de orgulho na família.  


O velório será realizado na capela 1, da Acesf e o sepultamento será na sexta-feira (8), às 9h15, no Cemitério São Pedro, na área central. 


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