O serralheiro Márcio Kovaleski, 40 anos, morreu no sábado à noite, na Santa Casa de Londrina, onde internado desde março com criptococose, doença causada pelos fungos presentes nas fezes dos pombos. O sepultamento aconteceu no final da tarde de ontem, no Cemitério Parque das Oliveiras. Revoltados, familiares dde Márcio acreditam que ele foi contaminado pela doença na Área Central da cidade, onde há grande concentração de pombos. Eles afirmam que vão cobrar providências das autoridades para que outras pessoas não passem pelo mesmo problema.
O irmão de Márcio, Vicente Kovaleski disse que o serralheiro começou a passar mal no 23 de fevereiro, quando sentia fortes dores de cabeça. ''Foi coletado o liquor da coluna dele e constatou-se que ele tinha o fungo que é encontrado nas fezes do pombo e isso já fazia pelo menos 17 dias'', disse. Segundo Vicente, Márcio foi internado no dia 12 de março. ''Temos certeza que ele contraiu a doença no Bosque Central porque ele vivia por lá. Sempre ia na Catedral ou na Biblioteca Municipal e acabava passando várias vezes por dia naquele trecho. Meu irmão estava com depressão e sua imunidade estava baixa'', explicou. Vicente disse ainda que o laudo aponta morte por meningite criptococócica. Márcio era separado e deixou dois filhos de 9 e 12 anos.
A assessoria de imprensa da Santa Casa confirmou que ele morreu de criptococose, mas ontem a FOLHA não conseguiu falar com nenhum dos médicos que atendeu o paciente. Ainda segundo a assessoria, outra pessoa com a mesma doença está internada no Hospital Mater Dei - que pertence ao mesmo grupo. Trata-se de um homem de aproximadamente 30 anos e, segundo a assessoria, se recupera bem.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, disse que ficou sabendo da morte do homem ontem e garantiu que hoje uma equipe do setor de epidemiologia vai apurar detalhes sobre o caso. ''Vamos levantar em que condições esse paciente adquiriu essa doença para daí sim poder falar algo a respeito. Precisamos saber em que circunstâncias isso aconteceu, se não é um caso isolado, porque é uma doença que atinge pessoas com imunidade extremamente baixa'', disse.
A superpopulação de pombos na Área Central é um problema antigo. A Secretaria do Ambiente tem projetos para combater o problema. Ontem, a reportagem não conseguiu falar com o secretário Carlos Levy.
Fungo
O infectologista de Londrina, Edson Anzai, explicou que a criptococose tem como principal agente de transmissão um fungo muito comum de ser encontrado nas fezes dos pombos e também na natureza, principalmente nas cascas de algumas árvores. Segundo ele, a doença pode comprometer o pulmão e também o sistema nervoso. Ressaltou, porém, que a doença inalatória é de difícil contaminação. ''É uma doença bastante rara e que atinge, principalmente, pessoas que estão com a sua imunidade muito baixa. Isso não quer dizer que pessoas saudáveis não possam ser contaminadas, mas é bem mais raro acontecer'', disse.

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