Curitiba Na sexta-feira, 20 de fevereiro, quando o samba-enredo ''Antonina-Carnaval Demais'' tocar na avenida, abrindo oficialmente o Carnaval 2004 de Antonina, a população da cidade certamente vai lembrar, já com saudades, do poeta, compositor e carnavalesco tradicional, Rellen Salu Berght. Aos 72 anos de idade, Rellen foi encontrado morto, caído ao lado de um banco da praça central de Antonina, por volta de 8 horas de quarta-feira. Pouco antes, motoristas do ponto de táxi da Praça Coronel Macedo o viram passar por ali. A causa da morte ainda não tinha sido revelada, mas acredita-se que ele tenha tido um ataque cardíaco fulminante.
''Eu penso que ele morreu de uma bela maneira, no meio da cidade, lugar onde ele sempre gostava de fazer caminhadas'', conta Eduardo Bó Nascimento, fotógrafo, professor e pesquisador das histórias de sua também cidade natal. Com este intuito, há cerca de dois meses, ele chegou a combinar com Rellen, para que os dois se encontrassem todas as segundas-feiras, de modo que ele pudesse gravar as histórias que só o poeta sabia sobre Antonina. Além de contar casos vividos por ele, Rellen sabia histórias antigas da cidade, desconhecidas pela maioria da população. ''Ele não apareceu na primeira segunda-feira, nem na segunda e nem nas outras, e Antonina acabou ficando sem suas histórias'', conta.
Nascido em 28 de maio de 1931 no bairro do Batel, Rellen, na verdade, foi batizado como Heitor Vieira. Em entrevista dada ao jornal eletrônico de Nascimento há cerca de um ano, ele explicou a confusão dos nomes: ''Minha mãe não gostou do nome e mostrou o herdeiro para o escravo Fanor, frequentador do empório em que ela trabalhava. E Fanor é quem deu meu nome'', contou.
Alfaiate de profissão, tinha orgulho de contar que ele é quem fazia os uniformes usados pelos componentes da Filarmônica Antoninense. Poeta e compositor por vocação, em 1975 compôs seus dois primeiros samba-enredos, para as escolas ''Batuqueiros da Caixa D'Água'' e ''Batel''. Daí em diante, continuou levando suas letras para puxar o samba no Carnaval mais animado do Paraná. Quase todo ano era convidade pela prefeitura para fazer o samba oficial do Carnaval, como o enredo de 2004.
Transformou-se em um dos mais importantes carnavalescos de Antonina, junto com figuras como Zeco Pinto, Caetano Machado, Nene Chaminé. Seu samba-enredo ''Carnaval, Sonho e Nobreza'', feito em 1983 para a Escola Batel até hoje é lembrado pela população. Apesar da rivalidade entre as escolas de samba Batel e Capela, que sempre marcou o carnaval antoninense, Rellen não fazia distinções na hora de fazer samba. Figura popular em toda cidade, preferia não contar para quem torcia. Agora, após sua morte, Nascimento arrisca: ''Lá no fundo do coração, ele era batelista, escola do bairro onde ele nasceu''.

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