Morre adolescente baleado por PM
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quinta-feira, 15 de abril de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Charles Jesus Monteiro, de 17 anos, baleado em Londrina na última semana por um policial militar à paisana, morreu ontem no hospital. A família está revoltada e acusa a PM de ''execução''. ''Se ele estava errado, tinha que ser preso, e não morto. Polícia é para prender, não para matar'', acusou o tio, Jurandir Monteiro. Ontem, a família protocolou um pedido para exame de necrópsia no Instituto Médico-Legal (IML), para constatar se o rapaz foi espancado e identificar o calibre das balas que o atingiram. Hoje, a família pretende entrar com uma representação no Ministério Público.
O adolescente foi baleado quando supostamente participava de um assalto a uma lanchonete na Avenida Santos Dumont (Zona Leste), na madrugada do dia 8. Atingido por três disparos, no olho, no pescoço e no peito, Charles foi encaminhado para a Santa Casa, onde ficou internado até ontem, quando durante uma cirurgia teve uma parada cardiorrespiratória.
Segundo informações do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o policial estava em horário de folga e é parente dos donos da lanchonete. Ainda segundo informações do 5º BPM, seis homens entraram na lanchonete e foram surpreendidos pelo policial. Charles teria reagido e apontado um revólver calibre 38 para o PM, que aí então teria disparado contra o adolescente, enquanto os outros suspeitos fugiam.
A família contestou a versão da PM. ''Temos testemunhas que dizem que ele foi baleado quando a Rone (Tropa de Choque) chegou, depois de já estar rendido e ter jogado o revólver no chão'', disse o pai, Jailson Lima Monteiro. ''Queremos justiça. Por que dar mais tiros se ele já estava rendido?'', questionou a mãe, Leonilda Maria Jesus Monteiro, que só conseguiu visitar o filho no hospital depois da intervenção do Conselho Tutelar. A Folha denunciou o caso esta semana e na ocasião a mãe afirmou que foi humilhada pelos PMs que vigiavam o filho e que alguns teriam dito que ''bandido precisa morrer''.
Segundo o comandante do 5º BPM, tenente-coronel Manoel da Cruz Neto, como o PM que atirou estava à paisana, o caso será investigado pela Polícia Civil. No entanto, ele reiterou que ''se houver indícios'' de que a Rone cometeu alguma irregularidade o caso será investigado. Um inquérito foi instaurado no 2º Distrito Policial.
A família autorizou a doação dos órgãos de Charles, segundo a mãe, ''um pedido dele''. Segundo informações da Central de Notificação e Doação de Órgãos de Londrina, só puderam ser aproveitadas as válvulas do coração, que serão encaminhadas para o banco de válvulas da Santa Casa de Curitiba.


