Morre açougueiro vítima de incêndio
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segunda-feira, 24 de junho de 2002
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
O açougueiro Franklin Leandro da Cruz Gonzaga, 23 anos, faleceu na tarde do último domingo no Hospital Evangélico, em Curitiba. Ele tinha sido transferido no dia 19 de junho da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Londrina para a mesma unidade do hospital da capital, com queimaduras graves em mais de 70% do corpo. O sepultamento aconteceu às 17 horas de ontem no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte).
Franklin e o seu patrão, Ailton Albuquerque Júlio, 33 anos, ficaram feridos no dia 15 de junho, após uma explosão provocada por um vazamento de gás, num açougue da Rua Santos (região central). Ailton, que teve 80% do corpo atingido, foi transferido da Santa Casa para a ala de queimados do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto (interior de SP). O microempresário continua em estado grave e ainda corre risco de vida. Ontem, pela manhã, ele passou por uma cirurgia para remoção de tecido morto.
Os dois não puderam ser atendidos pelos hospitais de Londrina porque o município não conta com ala específica para tratamento a vítimas de queimaduras. O único hospital que oferece esse tipo de atendimento no Estado é o Evangélico de Curitiba.
De acordo com a médica plantonista da UTI do Evangélico, Virgínia Helena Soares de Souza, que atendia Franklin, a causa da morte foi falência múltipla de órgãos.
O cirurgião da ala de queimados do Hospital Evangélico, Sérgio Luiz Lopes, apontou que os primeiros 10 dias para uma pessoa vítima de queimaduras extensas, como teve Franklin, são críticos. As principais complicações envolvem os rins e os pulmões. As queimaduras provocam lesões sérias, mesmo quando aparentam que não são graves, precisou o médico. Ele descartou a possibilidade de Franklin ter adquirido infecção hospitalar.
A mãe do açougueiro, Gilda da Cruz Gonzaga, disse que sabia que seu filho tinha poucas chances de sobrevivência. Pela gravidade, não tinha muita coisa que pudesse ser feita, afirmou. Ela revelou que Franklin estava passando a maior parte do tempo sedado e que, mesmo assim, estava iniciando a etapa de remoção da pele deteriorada. Gilda voltou a agradecer o tratamento que o filho recebeu em ambos os hospitais.
Com a morte de Franklin, a delegada do 1º Distrito Policial, Waldete Testoni, informou que irá instaurar um inquérito policial para apurar responsabilidades.


