Morcegos infectados com raiva preocupam no PR
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Mesmo sem casos de raiva transmitida por morcegos desde 1987, a doença é uma preocupação para as autoridades de saúde no Paraná. Isso porque, mesmo sem registro de contaminação em humanos, ainda existem animais infectados no Estado. Somente no ano passado, 14 exemplares contaminados foram entregues à Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa). Em 2007, outros 15 apresentaram o mesmo quadro.
No início da semana, um encontro no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de São José dos Pinhais reuniu mais de 50 representantes de municípios paranaenses para discutir ações de manejo de morcegos. De acordo com o coordenador do Programa Estadual da Raiva da Sesa, Paulo Guerra, o problema é generalizado no Estado, já que, sem espaço na mata, o bicho tem buscado seu alimento nas cidades, passando, assim, a co-habitar com humanos. Segundo pesquisadores, 20% das 165 espécies brasileiras de morcegos parecem ser capazes de manter populações estáveis em áreas urbanas.
"Temos três grupos de morcegos que vivem próximos da população. O insetívoro (que se alimenta de insetos), que costuma se alojar em sótãos de casas ou igrejas. O frugívoro (que se alimenta de frutas) busca o seu alimento nas árvores dos jardins e pode, acidentalmente, entrar na casa ou dar a impressão de um ataque quando faz voos rasantes, assim como o polinívoro (que se alimenta de pólen)", explica o médico veterinário.
Mesmo sem atacar diretamente os humanos, o perigo de contaminação da raiva, e de outras doenças, está no simples contato com o animal. "Ele tem o hábito de usar a língua para se limpar e a raiva é transmitida pela saliva. A pessoa, apenas ao encostar no bicho, já deve procurar um posto de saúde, comunicar o contato com o morcego e iniciar imediatamente o tratamento preventivo da raiva", afirma Guerra.
No encontro, foi discutida a proteção humana, bem como a do animal, que é protegido por lei ambiental pela sua importância no equilíbrio da natureza. De acordo com o biólogo Gledson Bianconi, por seu papel como controlador de insetos - entre eles o transmissor da dengue - e disseminador de sementes, é importante preservá-lo.
Mas, além das doenças, os morcegos ainda podem trazer alguns desconfortos para as populações da cidade. Entre eles, o ruído da vocalização e dos deslocamentos, o acúmulo das fezes e o cheiro desagradável proveniente das fezes e urina.
Entre as ações de manejo previstas pelos CCZ, está afastar o animal do convívio com as pessoas. Para isso, algumas medidas devem ser tomadas pela própria população. Vedar a residência, impedindo o alojamento do animal, fechar portas e janelas, tirar frutas maduras das árvores e tomar cuidado na limpeza das fezes.
Catarina Seleme Correa deu de cara com morcegos em três ocasiões. "Em uma das vezes, acho que o bicho deve ter ficado uns 20 dias alojado em uma prateleira no salão de festas. Pedimos ajuda para o caseiro, que acabou dando vassouradas e matou o morcego. Outra vez conseguimos soltar ele na mata com o auxílio de uma sacola", conta. Desde que ela decidiu fechar todas as portas e janelas a partir das 17 horas e usar telas nos dias mais quentes, os episódios acabaram.
Ao se deparar com um animal dentro de casa, Guerra diz que o ideal é buscar a orientação da vigilância sanitária local ou um dos sete CCZ do Estado, localizados em Araucária, Curitiba, Lapa, São José dos Pinhais, Ponta Grossa,
Maringá e Foz do Iguaçu. Como resultado do encontro, será elaborado um roteiro básico de orientações para os profissionais da área.


