O vermelho é uma das cores mais vistas atualmente em esquinas de avenidas movimentadas de Londrina ou pontos de grande aglomeração, como o Calçadão e as proximidades do Terminal Urbano. Não se trata da última tendência da moda, mas do produto que está garantindo a renda de muita gente nessa época: o morango.
Ironicamente, a fruta que excedeu os limites das feiras livres, sacolões e supermercados ganhando espaço em bancas de rua e carriolas de ambulantes é considerada pouco acessível à maioria da população. ''Quem compra mais é de classe média. O pessoal mais pobre, quando compra, é uma bandejinha só para experimentar'', afirma Manuel Collado, 58 anos, que vende morangos na esquina da Avenida Higienópolis com a Rua Goiás (Área Central). Ele mesmo está bem longe do perfil do consumidor da fruta: caminhoneiro, pai de cinco filhos, diz que não conseguiu mais trabalho por causa da idade e teve que partir para outros bicos. ''Não tinha outra opção'', lamenta.
Collado é uma das pessoas que garantiram um trabalho, por pelo menos seis meses do ano, graças à pequena produtora Jacira Moreira da Silva, 42 anos. Cultivando morangos há três anos, numa chácara na Zona Sul de Londrina, Jacira ''emprega'' seis vendedores, que comercializam a fruta em diferentes pontos da cidade. ''Para eles compensa bastante, porque eu pago a diária independente do quanto vendam. Já eu, nem sempre tenho lucro. A produção é cara e a concorrência é muito grande'', explica.
Para aumentar o rendimento, Jacira revende morangos produzidos em estufa, adquiridos com outro produtor. Esses frutos, que segundo ela têm qualidade superior, são mais caros. Cada caixa com quatro bandejas custa em torno de R$ 8,00, enquanto os morangos da produtora são vendidos a R$ 6,00. Ela garante, entretanto, que todas as frutas comercializadas sob sua tutela têm a mesma qualidade daquelas vendidas em estabelecimentos.
A venda de morangos é um negócio bem mais arriscado para o ambulante Sebastião (que pediu para ter o nome trocado), 26 anos. Ele comercializa o produto de forma irregular, já que o Município não permite a venda de frutas em carriolas. ''Já perdi umas quatro carriolas, com todos os produtos. Quando os fiscais da prefeitura pegam, não tem como reclamar. Sai mais barato comprar outra carriola, por uns R$ 50,00, do que pagar mais de R$ 100 em multa'', opina.
Mesmo nessas condições, Sebastião garante que o trabalho compensa. Tanto que ele mora em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) e vem diariamente a Londrina para vender morangos. O ambulante conta que adquire as frutas na Central de Abastecimento (Ceasa), onde consegue caixas com quatro bandejas por R$ 5,00. Depois, vende cada bandeja por até R$ 2,00. ''Quando acaba a época de morangos, vendo outros produtos, como vassouras. A gente se vira, né?''.

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