Quem mora na rua Pantanal ou no Jardim Nossa Senhora da Paz é obrigado a respeitar as leis e comportamentos impostos pelo conflito entre as gangues. Protegidos pelo anonimato, moradores relatam que precisam seguir uma rotina semelhante à de uma guerra, onde o medo de ser a próxima vítima é companheiro diário.
Ana (nome fictício) mora há três anos na rua Pantanal. ''A gente tem medo até de sair para ir num bar, numa padaria e levar um tiro no caminho. Já bateram em uma mulher daqui no posto de saúde do Jardim Leonor'', recorda. O próprio marido, morador há mais de 20 anos da rua, foi vítima dos tiros em 2003, em frente a sua casa, e está numa cadeira de rodas desde então. Na semana passada, em plena luz do dia, um motociclista parou no início da rua e disparou 21 vezes a esmo mas ninguém foi ferido. Por medo de tomar o ônibus, ela perdeu a consulta médica que estava agendada para o marido.
No Jardim Nossa Senhora da Paz, do outro lado do vale que separa as gangues, Neusa (nome fictício) também guarda lembranças amargas do conflito. Ela vive há mais de 30 anos no bairro e disse que também teve parentes e amigos baleados. ''Acho que (a remoção da Pantanal) melhoraria para todo mundo. Hoje, a situação é muito ruim porque a gente não sabe que hora nem de onde vem o tiro'', comentou. A moradora afirmou que procura manter a rotina e tudo é feito com medo. ''Ultimamente melhorou um pouco porque a polícia está passando aqui direto'', afirmou.
Os moradores esperam que o prefeito Nedson Micheleti cumpra a promessa de ir conversar com a comunidade da rua Pantanal no início da próxima semana. A assessoria do prefeito confirmou que ele está disposto a ouvir a população local e aguarda a formalização da proposta de remoção para analisar as questões jurídica, técnica e financeira. (L.A.)

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