Moradores vão fechar Manoel Ribas
Comerciantes e moradores da Avenida Manoel Ribas, do bairro Santa Felicidade, em Curitiba, decidem hoje quando irão fechar a rua para protestar contra a demora do governo do Estado na conclusão das obras do Contorno Norte. O contorno terá 13 quilômetros e vai ligar a BR-277 à Rodovia dos Minérios, em Almirante Tamandaré. Faixas com frases que cobram o término das obras foram espalhadas pela avenida. Os moradores e comerciantes dizem não suportar mais o tráfego intenso de caminhões pela rua desde que cinco quilômetros da obra foram concluídos em 1994, ligando a BR-277 à avenida.
Uma comitiva de autoridades, que terá a presença do chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda, deve visitar as obras hoje de manhã. Às 19 horas, o grupo se reúne com representantes da comunidade. Não devem, porém, levar nenhuma proposta prática, já que o reinício dos trabalhos depende da liberação de recursos da Secretaria de Estado da Fazenda.
O diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Paulinho Dalmaz, afirmou no mês passado que as obras dos nove quilômetros restantes só devem começar no segundo semestre deste ano. Isso se a Prefeitura de Curitiba e o DER conseguirem os R$ 10 milhões - R$ 5 milhões cada - necessários para a construção. Segundo a assessoria de comunicação do DER, os recursos constam no orçamento estadual e todas as ordens de serviço já teriam sido expedidas, mesmo sem a liberação do dinheiro.
O comerciante Sérgio Caporosso, que reside na Manoel Ribas, não acredita que a reunião de hoje dê resultados práticos. Vão apenas dar satisfação à população, prevê. Conforme ele, durante a reunião com os representantes do governo os comerciantes e moradores pretendem definir o dia em que devem fechar a avenida.
A indignação dos moradores pode ser vista facilmente nas ruas. As faixas vão de uma simples combrança, como Srs. Governantes, o que fizeram com a verba do Contorno Norte?, a ameaças: Na próxima eleição daremos nossa resposta.
Caporosso diz que o trânsito atingiu níveis insuportáveis. Casas estão rachando, o comércio perde freguesia, as ruas têm péssimas condições e o barulho prejudica até mesmo o ensino nas escolas. Não é sempre, mas às vezes o ronco dos motores atrapalha a aula, conta a estudante Larissa Lucca, 11 anos, que estuda na 5ª série do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, situado na avenida.
O problema tem persistido, apesar da cobrança dos moradores. Segundo a comerciante Danieli Varella Cândido, 28 anos, a população já tentou diversas vezes mostrar ao governo estadual o nível de transtorno causado pelo trânsito intenso.





