Moradores vão à Justiça para garantir imóveis
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001
Érika Pelegrino de Londrina 
Mais de 300 moradores do Residencial das Américas (zona norte de Londrina) estão ameaçados de despejo. Ontem, oficiais de justiça estiveram no condomínio para notificar dois moradores. A Construtora Santa Cruz conseguiu uma liminar na última sexta-feira que concede reintegração de posse dos imóveis.
A advogada Rosângela Miya entrou ontem com recurso para suspender a liminar. Ela alega que os imóveis não pertencem à construtora e sim à Caixa Econômica Federal, que moveu três ações civis e uma criminal na Justiça Federal contra a empresa. As ações civis são para cobrar dívidas da construtora com a instituição financeira e a criminal para investigar superfaturamento da obra.
As ações correm na Justiça Federal desde 1994. Hoje, às 11 horas, a advogada irá, junto com alguns vereadores, entregar um pedido ao setor jurídico da Caixa para que agilize o andamento destas ações. Ontem, Rosângela e alguns moradores lesados estiveram na Câmara de Vereadores pedindo apoio.
A Caixa, segundo a advogada, liberou a verba para a construção do condomínio e, na finalização da obra a construtora não fez o repasse do valor de cada unidade à instituição. Desde então, a construtora está sendo executada pela Caixa. Em 94 a construtora fez contratos de compra e venda com cerca de mil moradores.
A advogada afirma que seus clientes não sabiam das irregularidades dos imóveis. Quando souberam da situação, os moradores passaram a fazer depósito em juízo do valor mensal da prestação e desde então vêm sofrendo represália da construtora para deixar os imóveis.
A professora Ednéia Cavalari de Siqueira, 34 anos, é uma das moradoras ameaçadas de despejo. Ela e o marido, Allan Kardec de Siqueira, 38, fizeram o contrato de compra e venda com a construtora e deram um sinal de R$ 1,2 mil. Desde 1996, depositam mensalmente em juízo R$ 180,00.


