Mais de 300 moradores do Residencial das Américas (zona norte de Londrina) estão ameaçados de despejo. Ontem, oficiais de justiça estiveram no condomínio para notificar dois moradores. A Construtora Santa Cruz conseguiu uma liminar na última sexta-feira que concede reintegração de posse dos imóveis.
A advogada Rosângela Miya entrou ontem com recurso para suspender a liminar. Ela alega que os imóveis não pertencem à construtora e sim à Caixa Econômica Federal, que moveu três ações civis e uma criminal na Justiça Federal contra a empresa. As ações civis são para cobrar dívidas da construtora com a instituição financeira e a criminal para investigar superfaturamento da obra.
As ações correm na Justiça Federal desde 1994. Hoje, às 11 horas, a advogada irá, junto com alguns vereadores, entregar um pedido ao setor jurídico da Caixa para que agilize o andamento destas ações. Ontem, Rosângela e alguns moradores lesados estiveram na Câmara de Vereadores pedindo apoio.
A Caixa, segundo a advogada, liberou a verba para a construção do condomínio e, na finalização da obra a construtora não fez o repasse do valor de cada unidade à instituição. Desde então, a construtora está sendo executada pela Caixa. Em 94 a construtora fez contratos de compra e venda com cerca de mil moradores.
A advogada afirma que seus clientes não sabiam das irregularidades dos imóveis. Quando souberam da situação, os moradores passaram a fazer depósito em juízo do valor mensal da prestação e desde então vêm sofrendo represália da construtora para deixar os imóveis.
A professora Ednéia Cavalari de Siqueira, 34 anos, é uma das moradoras ameaçadas de despejo. Ela e o marido, Allan Kardec de Siqueira, 38, fizeram o contrato de compra e venda com a construtora e deram um sinal de R$ 1,2 mil. Desde 1996, depositam mensalmente em juízo R$ 180,00.

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