Há 8 meses, o bóia-fria Antônio deixou Cianorte com a mãe e dois irmãos pequenos para tentar a vida em Umuarama. Sem dinheiro, foi morar num barraco sem água ou luz, na chamada favela do Lixão, um lugar insalubre nos fundos do Parque Industrial I, onde estão enterradas toneladas de lixo. Na semana passada, com a ajuda do irmão Vagner, 3 anos, Antônio recolheu os últimos móveis e utensílios e demoliu o barraco de lona para se mudar para uma casa de alvernaria de 33 metros quadrados e quatro cômodos ali perto. Como a de Antônio, outras 31 famílias que moravam no antigo lixão abandonaram a área. Todos vão morar no conjunto habitacional construído pela prefeitura.
A retirada dos cerca de 230 moradores do antigo lixão faz parte de um programa inédito de desfavelamento que, se der certo, vai ser adotado para acabar com outras favelas de Umuarama. O prefeito Fernando Scanavaca diz que o projeto é simples e barato, mas alcança resultados sociais e ambientais muito importantes. ‘‘Estamos transferindo famílias de locais sujos e degradantes para moradias dignas, com infra-estrutrura básica, e tentando ajudá-las a melhorar sua condição de vida’’, destacou o prefeito.
Mauro LopesVagner, de 3 anos, ajuda a família a transportar a mudançaO antigo lixão começou a ser invadido há mais de 5 anos. Em setembro do ano passado, 40 famílias já se amontoavam no terreno. O local é foco de doenças e boa parte dos moradores, principalmente crianças, apresentavam problemas de pele. As pessoas também corriam risco de vida, porque o lixo em decomposição sob o solo forma bolsões de gás que podem explodir. Devido às precárias condições de vida e a situação de risco, a prefeitura escolheu a favela do Lixão para ‘‘testar’’ o projeto de desfavelamento.
As 38 casas foram construídas em forma de condomínio horizontal, com casas geminadas para reduzir os custos. Trabalharam na construção funcionários da prefeitura e os futuros moradores. Cada moradia custou, em média, R$ 2 mil. Os moradores estão proibidos de vender ou alugar as casas. As moradias que forem desocupadas serão retomadas pela prefeitura para doação a outras famílias.
Das 40 famílias que moravam no lixão quando começou a construção das casas, oito foram embora para outros municípios. As seis casas que sobraram serão doadas à famílias que ficaram desabrigadas durante as chuvas de abril. As seis famílias estão morando provisoriamente no salão comunitário do Parque Industrial.
Segundo o chefe da divisão de ação comunitária da Secretaria do Bem Estar Social, Cícero Laurentino, 99% dos ex-moradores do lixão são bóias-frias. ‘‘Eles tinham dificuldade até para arrumar emprego na cidade por causa do lugar em que moravam’’, disse Laurentino. Para evitar novas invasões no terreno do lixão, todos os barracos foram demolidos.
A área, de 20 mil metros quadrados vai ser aproveitada pelos antigos moradores para lazer (a prefeitura construirá um campo de futebol) e cultivo de hortaliças. ‘‘Usando o terreno em proveito próprio, os antigos moradores ajudarão a fiscalizar e impedir novas invasões’’, observa Laurentino. A Secretaria do Bem Estar Social também vai continuar acompanhando as famílias retiradas do lixão, engajando-as em programas de atendimento, profissionalização e educação.

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