Especial para a Folha
Ao completar 50 anos, a Casa do Estudante Universitário está buscando resgatar o brilho da sua história, dos tempos de regime militar e dos movimentos estudantis. Nos últimos 20 anos a casa ficou relegada à condição de moradia para estudantes mais pobres, e encontra-se em condições precárias de conservação. As dívidas, algumas acumuladas desde 1978, somam quase R$ 1,2 milhão, entre contas de luz, água e IPTU. Agora, os administradores estão tentando recuperar o espírito de coletividade que manteve a instituição durante tanto tempo.
O estudante Rudnei José Miola, 2º vice-presidente administrativo da casa, diz que os moradores se esqueceram da experiência que podem ganhar, trabalhando em suas futuras atividades para benefício da casa. ‘‘Nos tempos do regime militar, os estudantes tinham um inimigo comum - a repressão. Hoje, as pessoas se tornaram individualistas, correndo atrás de seus próprios interesses.’’
Apesar das dificuldades, a CEU continua acolhendo estudantes de todo o País. ‘‘Os desafios da vida trazem motivação para enfrentarmos as dificuldades’’, diz o estudante de Engenharia da Computação Demis Leandro Destro, 23 anos, há cinco morando na CEU. Ele confessa que levou algum tempo para apreender a filosofia da instituição. ‘‘A maioria acha que está numa pensão, não sabe que precisa ajudar a mantê-la’’.
O mineiro Ronaldo Maia, 24 anos, estudante de Artes Cênicas da Faculdade de Artes do Paraná, acha que o clima de solidariedade está começando a voltar. Ele diz que as administrações passadas não fizeram muito pela casa, mas que os alunos já estão se unindo para devolver o brilho da CEU. ‘‘Em cinco meses, já pudemos ver algumas mudanças, inclusive no espírito de colaboração dos moradores’’.
A CEU está buscando, por meio de convênios com a Universidade Federal do Paraná, governo do Estado e empresas privadas, recursos para mudar sua realidade. E está buscando selecionar melhor os candidatos a vagas. ‘‘Queremos estudantes participativos e que tenham espírito de coletividade, que não nos causem problemas e que melhorem a qualidade dos moradores’’, afirma o presidente administrativo Sandro Campos Soares, estudante de Economia. A CEU também firmou convênios com a Prefeitura de Curitiba e recebe crianças carentes e idosos da FAS. Soares diz que a intenção é ‘‘mostrar que também temos muito a oferecer, e que podemos prestar bons serviços à comunidade. Não queremos ficar apenas pedindo ajuda’’.

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