Moradores tentam recuperar estragos da chuva de granizo
Lúcio Horta
De Londrina
Depois de uma das piores chuvas de granizo que já caíram em Guaravera, distrito localizado ao sul de Londrina, os moradores reservaram o dia de ontem para recuperar os prejuízos. A chuva caiu durante cerca de três minutos, na tarde de anteontem, e destruiu o telhado de dezenas de casas, além de acabar com o trabalho de muitos produtores rurais da região. A uva, produto mais tradicional do distrito, ao lado da maçã, também não escapou dos estragos (ver texto ao lado).
A Companhia de Habitação (Cohab) passou toda a manhã cadastrando as famílias do Conjunto Aureliano Manoel da Costa, o mais atingido. A expectativa é de que até hoje os três mil metros quadrados de lona plástica, que foram colocados sobre os telhados destruídos pelo granizo, sejam substituídos por novas telhas de amianto (do tipo eternit). O gerente de projetos da Cohab, Heleno Solano, estima que seja necessário comprar pelo menos 70 telhas, com 2,44 metros de comprimento por 1,10 de largura. Os moradores não pagarão pelo material.
Construído pela Cohab, o Conjunto Aureliano Manoel da Costa tem 24 residências com 25,22 metros quadrados cada uma. A maioria das famílias perdeu todo o telhado; apenas duas casas não foram atingidas. Foi uma coisa terrorista, tentou classificar, com simplicidade, Claudete Gonçalves Lucas, que mora junto com outras dez pessoas no mesmo imóvel do conjunto. Na hora da tempestade, ela estava no local com os três filhos menores, um deles com apenas um ano de idade.
Ele ficou com tanto medo que quase desmaiou, contou Claudete Lucas, que precisou proteger o filho com o cobertor. A telha furou tudo e a casa ficou cheia de gelo. E caía pedra na cabeça porque não tem mesa em casa. A gente até abriu a porta para fugir mas não tinha como correr. O pior foi a menina de quatro anos, que estava muito assustada e gritava bastante. Ela dizia tá caindo, vamo pra casa da madrinha! Molhou tanto que à noite tivemos que dormir sentados.
O trabalhador rural Paulo Sérgio, vizinho de Claudete Lucas e que mora com a esposa e dois filhos, disse que não tinha ninguém em casa na hora da tempestade. Cheguei às cinco e meia (da tarde) e fiquei assustado. É duro chegar e ver tudo quebrado, lamentou. Segundo ele, tudo na casa ficou encharcado: colchão, cobertores, roupa e até documentos. Hoje tiramos o dia para arrumar.
O mesmo problema teve Lourdes Ferreira do Nascimento, trabalhadora rural, que ontem mal sabia por onde começava a limpeza. Foi tudo muito rápido e molhou tudo. Fiquei no canto da sala para me proteger e esperando a chuva passar, disse Alexandre Nascimento, 16 anos, filho de Lourdes e o único que estava no imóvel na hora da chuva. Ele contou que, para proteger o bem que considera mais importante dentro de casa o aparelho de televisão , não teve dúvidas em cobri-lo com o próprio cobertor.
O granizo também castigou outras casas do distrito que tinham telha de amianto. Na Avenida São João, a principal de Guaravera, Antonio Pereira teve muito trabalho para recobrir o telhado. Moeu tudo, molhou móveis, roupas. Agora tem que arrumar o telhado. O prejuízo deve ter sido de mais ou menos R$ 1 mil, avaliou.
Também antenas parabólicas foram danificadas pelo granizo. Desse jeito eu nunca tinha visto, atingiu até a máquina de lavar roupa. A sorte foi que a vizinha buscou os meus filhos correndo e levou para a casa dela, informou Neusa Pereira, mulher de Antonio. Dos quatro filhos do casal, dois deles mais um amigo estavam em casa na hora da chuva. Eles são grandes, mas assusta, acrescentou Neusa Pereira.





