Moradores tentam barrar novo aterro
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sábado, 22 de novembro de 2003
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Moradores da Côlonia Coroados (Zona Sul), protocolaram ontem, junto à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, um pedido de providências e a solicitação de complemento do Estudo de Impacto Ambiental (Eia-Rima) do novo aterro sanitário. Duas das três áreas pleiteadas, inclusive a preferencial de 25 alqueires, estão na côlonia. Eles argumentam que o estudo não contemplou a coleta seletiva e reciclagem. O argumento mais forte, entretanto, é que a área definida é próxima de um córrego integrante do manancial que abastece a cidade.
O biólogo Manoel Paiva, que assessora a Associação de Moradores da Colônia Coroados (Aprocor), argumenta que a escolha da área 1, sugerida pelo Eia/Rima apresentado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e mais próxima da cidade (pouco mais de 15 km) desrespeita a lei estadual 8935/89. A legislação proíbe a implantação de depósitos de lixo em área de manacial. ''A área está a menos de 500 metros de um córrego e a menos de um km do Ribeirão do Apertados'', observou. O ribeirão desemboca no córrego Três Bocas.
Os moradores querem a inclusão da reciclagem no Eia/Rima porque acreditam que a atividade pode reduzir custos e viabilizar a construção do aterro em local mais distante. A moradora Suzana Rockenbach reforça a argumentação. ''O aterro nessa área trará um impacto sócio-econômico muito maior que na área 3 (33 km do centro etambém na zona sul) mas como é mais longe eles querem reduzir custos'', afirmou.
A Aprocor está se mobilizando há meses para tentar barrar a construção do aterro, atualmente em fase de análise no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para liberação de licença prévia. O local abriga cerealistas, produtores de hortaliças e pecuaristas de leite. As duas últimas atividades, segundo a associação seriam inviabilizadas pelo risco de contaminação das águas e pelo acúmulo de moscas.
O promotor do Meio Ambiente, Eduardo Nagib Matni afirmou ontem que vai pedir informações aos órgãos envolvidos e o complemento do Eia/Rima. Ele vai solicitar também auxílio do centro de apoio operacional das Promotorias de Meio Ambiente para avaliar o caso. ''É importante a participação da população nesse processo'', comentou.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, afirmou que apesar de não ter sido notificado não vai opor resistência aos pedidos da comunidade. Ele ressalta, entretanto, que a coleta seletica está inlcuída no Eia/Rima e que o critério de distância não foi o único utilizado. ''A distância tem peso importante, mas a profundidade do solo, ausência de rochas, distância do povoado entre outras coisas foram estudadas'', diz. Antes da liberação da licença, o IAP necessita da realização de uma audiência pública, que deve ser marcada para o início do ano que vem.


