Moradores temem
conflito e ameaçam
entrar na Justiça
José SuassunaConfrontoMarco Antonio Peuber já teve que acolher dentro de casa uma família vinda de Joinville, que acabou se encontrando com torcedores coxa-branca próximo ao Couto PereiraOs conflitos entre as torcidas organizadas estão deixando os moradores do Alto da Glória tensos e com medo de que alguma tragédia maior aconteça na porta de suas casas. A doméstica Neuli de Oliveira Palice, de 27 anos, disse que tem medo de sair de casa. ‘‘Eu trabalho no decorrer do dia e não saio na rua. Fico só trancada com o meu filho’’, afirmou ela. A pedagoga aposentada Maria Soni disse que está pensando em entrar com uma ação na Justiça contra a diretoria do Coritiba. ‘‘Queremos tirar as torcidas da Rua Floriano Essenfelder’’, alegou ela.
De acordo com Maria Soni, os torcedores quebram carros, entram e apedrejam as casas, espalham terror em todas as ruas próximas ao Estádio Couto Pereira. ‘‘Tem jogo que a gente tem que recolher os torcedores adversários para dentro de casa para evitar desastres maiores’’, contou.
O representante comercial Marco Antonio Peuber já teve que acolher dentro de casa uma família vinda de Joinville, Santa Catarina. ‘‘Era um jogo entre o Flamengo e o Coritiba. Eles vieram torcer para o Flamengo, mas encontraram nesta rua a torcida coxa-branca. Foi um desespero. Tivemos que colocar eles para dentro de casa para evitar um desastre’’, lembrou ele. Marco Antonio Peuber contou que chegou a chamar a polícia, mas acabou tendo uma resposta surpreendente e desanimadora. ‘‘Eles alegaram que não podiam fazer nada para evitar o confronto, porque eles eram poucos e os torcedores muitos’’, disse ele, ao contar que foi um dos fundadores da torcida Império Alviverde.
Agora, anos depois, ele quer que as torcidas organizadas sejam extintas para acabar com as brigas e quebra-quebras que sempre trazem problemas para as pessoas e prejuízos para a cidade. ‘‘Antes as coisas eram em clima familiar. Agora, é um desrespeito total’’, argumentou. ‘‘Os vizinhos estão amedrontados. Moro aqui há 40 anos e nunca vi isso. Esta rua virou local de guerra, é uma confusão total’’, disse Maria Soni. Ela concorda com a idéia lançada por alguns setores da imprensa de que os jogos deveriam ser proibidos para a torcida adversária. ‘‘Em jogos de mando do Coxa, só deveriam entrar torcedores coxa-branca. E vice-versa’’, defendeu.
O ex-presidente da torcida Os Fanáticos, José Carlos Belotto, disse ontem que não adianta nada acabar com as torcidas organizadas. ‘‘A torcida é apenas uma instituição. Quem promove o quebra-quebra são os torcedores. Enquanto eles não forem punidos, nada mudarᒒ, afirmou ele. (L.P.)

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