O coordenador da Comdec, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, aponta que certas áreas de Londrina estão mais propensas a danos decorrentes de condições climáticas. Ele cita que, na zona sul, os moradores das áreas com moradias precárias como Jardim União da Vitória sofrem com os destelhamentos provocados pelas chuvas. Na invasão do fundo de vale do Conjunto Aquiles Sthenghel Guimarães (zona norte), o transbordamento do córrego em dias de tempestade provoca alagamentos nas casas.
Márcio Alexandre Teixeira mora no Jardim União da Vitória IV há dois anos, e desde então está desempregado. Na tempestade que caiu sobre Londrina na semana retrasada, metade do barraco onde ele morava com a esposa foi arrastada pela ventania. ''Graças a Deus não tinha ninguém em casa, alguém podia ter se machucado'', comenta.
Como está localizado sobre o ponto mais alto do bairro, o barraco de Teixeira sempre inspirou pouca confiança. Ele lembra que outros temporais já provocaram danos na residência e que sempre que chovia forte o casal ia para a casa de uma parente. É lá que os dois devem ficar até o nascimento do primeiro filho, previsto para dezembro.
Teixeira afirma que, em todas as vezes em que teve problemas, não procurou ajuda da Defesa Civil. Na última oportunidade, recorreu ao cunhado, Aguinaldo César da Silva, que está ajudando a reerguer o barraco. Silva calcula que as despesas da reconstrução ficarão em torno de R$ 500, pesadas demais para Teixeira, que vive de bicos.
''Se você reparar, o União da Vitória parece um caldeirão, fica no meio de um buraco. Quando vem um vento, ele faz uma curva grande e vem forte. Como um redemoinho'', diz o cunhado. Ele próprio já sofreu com destelhamentos em seu barraco decorrentes da chuva. Numa dessas ocorrências, seus dois filhos (de 7 e 3 anos) estavam dentro da casa, mas não se machucaram. ''É um perigo constante'', lamenta Silva, que também vive de bicos.

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