Moradores temem acidentes, mas alguns insistem em não se mudar
Um misto de medo e ignorância acompanha os moradores que vivem em locais inadequados. Uns temem morar ali e querem se mudar, mas não têm dinheiro. Outros, alheios ao perigo, afirmam que confiam em Deus, que não foram atingidos porque Ele não quis e não temem morrer debaixo de escombros.
O pedreiro Gilmar Alves de Almeida, 33 anos, e seu pai, o servente de pedreiro Manuel Macari Alves de Almeida, 54 anos, moram na casa 65 da rua Simão Damacoski, em Almirante Tamandaré, numa encosta a 50 metros de onde morreu Noeli Felipe.
Apesar do risco de acidentes geológicos, os dois não querem se mudar e afirmam que estão protegidos por Deus. A gente é evangélico, explica Gilmar. Para um morro desses desabar foi porque Deus, que tudo pode, quis. Quando Ele quer não adianta correr para parte alguma, acredita o pedreiro, arriscando a vida por conta da religião.
Mesmo que quisesse ficar, a dona de casa Alzira Frei da Silva, 27 anos, não poderia. A casa dela foi completamente destruída pelo deslizamento. Ela, o marido e o filho de cinco meses não morreram porque estavam na casa de parentes. Vou embora porque não posso mais voltar, afirma. Alguns moradores, entre eles Alzira, foram proibidos de retornar para suas casas pela prefeitura da cidade, que pôs outro terreno à disposição. Eu não sei por que não posso ficar, diz Alzira, demonstrando ignorância em relação à possibilidade de acidentes geológicos.
Moradores como a dona de casa Andréia Aparecida da Cruz, 18 anos, querem sair, mas não têm para onde ir. Estou louca para ir embora, mas não temos para onde, afirma ela. A mãe de Andréia, Cassilda da Cruz, 54 anos, que tem a casa afetada por uma rachadura, diz que só não mudou porque é pobre.





