Maigue Gueths
De Curitiba
O medo tomou conta dos moradores do conjunto Gralha Azul, no bairro Novo Mundo, em Curitiba, depois que um de seus moradores, Alessandro Polerá Pereira, de 21 anos, foi morto na noite de terça-feira por supostos membros da gangue da Vila Ipiranga. O problema é que o conjunto está situado no meio de duas áreas onde vivem duas gangues rivais: da Vila Ipiranga e da Vila Cubas. Nessa rixa, a comunidade do conjunto é quem está sendo prejudicada. Há meses, os jovens da região evitam se reunir nas ruas, praças e canchas de esporte à noite, com medo de serem confundidos com integrantes dos grupos, e agora a maioria dos moradores tem medo até de falar sobre o assunto.
‘‘Isso é um problema entre a gangue da Favela do Papelão e da Vila Ipiranga contra a gangue da Vila Cubas’’, conta um senhor que mora há 25 anos na região e preferiu não se identificar. Segundo ele, o bairro sempre foi pacato, mas sofre com a região em volta que é muito perigosa, principalmente por causa das pessoas da Favela do Papelão.
Os moradores também apontam alunos do período noturno do Colégio Estadual Homero Batista de Barros como sendo culpados pelas constantes cenas de violência no local. ‘‘Ali é barra pesada. Os alunos usam droga, cheiram tinner e saem por aí querendo brigar’’, diz um rapaz. Diante destas acusações, a polícia esteve no colégio na quarta-feira para ouvir depoimentos, sendo inclusive chamada para prestar plantão no local para coibir possíveis represálias do pessoal da gangue de Vila Cubas.
A estudante Marjory Cléris e o auxiliar de produção em uma fábrica de medicamentos Alessandro Paulo Ferreira, acreditam que a situação piorou depois que a polícia passou a intervir no conjunto Gralha Azul, proibindo que os adolescentes do local se reunissem nas praças e quadras de esporte à noite. ‘‘Nós somos todos jovens, costumávamos sentar aqui na pracinha e ficar cantando, tocando violão, conversando, tomando vinho. Mas alguns vizinhos se queixaram e a polícia está proibindo nossas reuniões’’, diz Marjory.
O resultado da medida da polícia, segundo Ferreira, é que as canchas, agora vazias, passaram a ser ponto de encontro dos membros das gangues de outros bairros. As mães também reclamam dessa mudança, pois antes sempre sabiam que as crianças estavam nas canchas, junto com os vizinhos adolescentes, enquanto agora não podem mais sair à noite.

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