Moradores têm de enfrentar filas por consulta
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de janeiro de 1998
Benê Bianchi 
Passar a noite na frente do Posto de Saúde para conseguir consulta médica com ginecologista e pediatra já se tornou uma rotina para os moradores do Parque das Indústrias (zona sul de Londrina). Faz um ano que estamos nessa situação. Mas agora a coisa está ficando mais grave. Ficamos sabendo que o clínico geral vai sair do posto, relata a dona-de-casa Clara Lindaura da Gama dos Santos.
Para conseguir uma consulta com ginecologista, ela foi para a fila na quinta-feira, às 20h30. Segundo ela, às 21h30 já não tinha mais vaga - o Posto deixa fixado na porta o número de consultas disponíveis e os próprios moradores organizam a fila. Mas o que mais assustou a dona-de-casa foi o princípio de tumulto ocorrido na noite de quinta-feira. Seis mulheres chegaram depois que não tinha mais vaga e elas começaram a brigar. Queriam que a gente saísse da fila para dar lugar a elas.
O clima ficou tenso até por volta das 3 horas, quando as mulheres resolveram ir embora. Segundo Laura dos Santos, os moradores passam a noite ao relento. Não tem sequer uma cobertura para nos proteger do sereno ou da chuva.
O superintendente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian disse ontem que o caso será apurado. A priori, não acredito que esteja acontecendo algo de anormal porque aquela região é bem servida nessa área. Além do Posto do Parque das Indústrias, temos os do Ouro Branco, Piza/Roseira, União da Vitória e ainda o Hospital Zona Sul.
Bedrossian acrescenta que dezembro e janeiro são meses com maior número de funcionários em férias. Há uma sobrecarga maior, mas também a procura pelo serviço diminui. Segundo ele, no Posto do Parque das Indústrias atuam um médico clínico geral, um pediatra e um ginecologista. São realizadas, ao todo, 44 consultas por dia.
Ele também ficou de apurar a informação de que o clínico geral irá se afastar do Posto.


