Moradores têm casas demolidas
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segunda-feira, 15 de junho de 1998
Eledovino Bassetto Junior 
Moradores do bairro Pinheirinho, em Curitiba, onde a Prefeitura vai implantar uma nova linha do biarticulado - dentro das obras do projeto Linhão do Emprego - acordaram ontem de manhã com o barulho das máquinas que estão demolindo as casas dos moradores que já foram indenizados. Ocorre que ainda há casos não-resolvidos, como o da moradora Mirian Goberski, que não dispõe do título de propriedade e não pode, assim, receber a indenização. Essa situação tem gerado conflito desde a semana passada, quando um oficial de Justiça teria dado prazo de 72 horas para desocupação das casas. Esse prazo venceu na segunda-feira de manhã e as famílias estão revoltadas com a prefeitura.
Ontem à tarde uma comissão dos moradores conversou com o procurador jurídico da prefeitura, Silvio Brambilla, a fim de tentar resolver o impasse. A reunião não estava agendada, mas assim mesmo os moradores foram até a Procuradoria do Município, na tentativa de suspender as demolições.
Mas, segundo reafirmou o supervisor de implantação do Linhão do Emprego, Edson Seitel, as máquinas da prefeitura não iriam avançar sobre os terrenos ainda não-regularizados. A prefeitura já depositou em juízo os valores correspondentes à indenização e os moradores podem ficar tranquilos que não vão perder suas casas, garantiu.
Há, além da questão da derrubada das casas, duvidosos acordos firmados entre o Cartório do Pinheirinho com moradores que não possuem documentos dos terrenos. O proprietário do cartório, José Ferreira da Rocha, por meio do escrevente Airton Batista de Camargo, está propondo a regularização dos terrenos em troca de 50% da indenização da prefeitura, conforme Camargo admitiu à Folha na sexta-feira, relatando dois casos dessa negociação.
Segundo nota do PT de Curitiba, o advogado da prefeitura teria contestado o cartorário, afirmando que não existem dois casos, mas 30 processos em trâmite na Justiça. O problema, no entanto, é que o processo de usucapião pode se arrastar na Justiça por anos, enquanto a derrubada das casas é imediatas.
Na quarta-feira à tarde os moradores prometem fazer um protesto contra a demolição das casas.


