Ibiporã - Imagine poder lavar a louça, a roupa ou o quintal com água quente neste inverno, sem gastar um centavo de energia elétrica ou gás para esquentá-la, bastando abrir a torneira?
Essa é a realidade de muitos moradores de Ibiporã (Norte), que desde a semana passada estão recebendo água do Aquífero Guarani através do abastacimento do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae). Na origem, a temperatura da água é 38 graus. Até chegar na casa dos moradores e na mistura com a água do Ribeirão Jacutinga, esfria um pouco, mas ainda chega quente nas torneiras, em torno de 32 graus.
A aposentada Vera Regina Clivati adorou a novidade, mas a princípio achou que alguma coisa estava errada quando abriu as torneiras em pleno clima frio e em vez de gelada, a água saiu quente. ''Fui lavar o banheiro e desliguei o chuveiro. Mesmo assim saia água quente e achei que o danado estava com defeito'', conta ela.
Vera conta que ficou animada com a economia que fará de detergente e sabão em pó para lavar louças e roupas, já que a água quente facilita a limpeza. ''Também vou economizar na compra de água para beber. Não senti diferença nenhuma no gosto'', atesta.
Sua vizinha, a também aposentada Maria Aurora Gomes de Oliveira, está gostando de lavar a louça com o conforto da água quente. ''Estou usando para beber, vou deixar de comprar porque desses garrafões a gente nunca sabe se realmente é mineral, se não teve contaminação. E vou fazer economia de energia elétrica, porque o chuveiro no ''morno'' já sai água bem quentinha'', explica.
Não são todos os moradores que terão esse privilégio, explica o presidente da Samae, Cláudio Buzeti. As torneiras abastecidas diretamente da rua recebem água mais quente. ''Quando fica parada na caixa acaba esfriando. Quem mora mais longe do Centro também vai receber água menos quente, porque irá perder temperatura no percurso'', explica.
O Aquífero Guarani é considerado a segunda maior reserva subterrânea de água doce do mundo, indo do Uruguai até Goiás e 70% está no subsolo do Centro-sudoeste do Brasil. Sua profundidade pode chegar a 1,8 mil metros. Em Ibiporã a água está sendo extraída a 589 metros, algo relativamente difícil de acontecer, o que explica a dificuldade de outras municípios em conseguir extrair água dele, segundo Buzeti.

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