Moradores surpreendidos com troca de nomes de ruas
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Quem chega ao simpático Jardim Esperança, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), mal imagina que, ali, palavras como fraternidade, gratidão e alegria estão ameaçadas. Essas e outras virtudes deram nome às ruas do bairro nos últimos quatro anos, desde que o loteamento recebeu os primeiros habitantes. Nesta semana, contudo, os moradores tiveram uma surpresa ao receber os carnês de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU): todas as ruas mudaram de nome.
''Quando vi aquele endereço no carnê, pensei que fosse erro da prefeitura. Liguei lá e me disseram que estava certo, que o nome da minha rua havia mudado'', conta a dona de casa Márcia Corrêa da Silva Rosa, 31 anos, há dois moradora da Rua da Fraternidade, rebatizada com o nome de Virgílio Janólio. ''Ficamos revoltados. A gente gostava dos antigos nomes, combinavam com esse bairro onde o pessoal é muito bom. Como é que de repente eles trocam tudo, sem nos avisar?'', protesta. Márcia também teme as despesas e o trabalho que terá para refazer o registro do imóvel e receber correspondências no novo endereço.
A indignação é compartilhada por Edilene Croxiati Romeiro, 27, residente à Rua da Bondade. ''Agora a rua se chama Antenor Bissaki. Preferia o outro nome, era mais fácil para as crianças decorarem'', observa a dona de casa. Apesar de ter nascido em Cambé, ela nunca ouviu falar neste e nos outros nomes próprios usados para rebatizar as ruas, em homenagem a pioneiros do município.
Os moradores se mobilizaram rapidamente para tentar reverter a medida. Em poucos dias, encheram um abaixo-assinado com mais de 500 rubricas, a ser encaminhado à Câmara de Vereadores. Curioso é que o projeto de lei que estabeleceu os ''novos'' nomes de rua é mais antigo do que o próprio Jardim Esperança. De autoria do vereador Carlos Alberto Abudi (PV), a matéria foi aprovada pela Câmara em 1999 mas, por falhas internas, acabou engavetada sem apreciação do Executivo.
No ano seguinte, um novo projeto para batizar as ruas do bairro, dessa vez com os virtuosos nomes, foi aprovado pelos vereadores inclusive por Abudi e sancionado pelo prefeito. A reviravolta veio no ano passado, quando o primeiro projeto foi ''desenterrado'', sancionado e, agora, executado. ''Até eu fui pego de surpresa. Mas se a vontade dos moradores for manter os nomes atuais, apresento um novo projeto para ficar como está'', antecipa Abudi.
O diretor-geral da Câmara, Carlos Serpeloni, admitiu que a duplicidade de projetos ''passou despercebida'' pela Casa. Ele garantiu que, diante da repercussão do caso, já elaborou um novo projeto de lei dispondo sobre o retorno dos nomes às ruas, para ser votado após o Carnaval. ''O problema está praticamente resolvido'', conclui. O diretor da Secretaria de Planejamento de Cambé, Fausto Anami, informou que a prefeitura irá ''respeitar a vontade da população''.


