Os 15 anos de labuta na construção civil fazem com que Abel Nunes, 43 anos, não perca muito tempo em precisar o que se poderia fazer com um lote de 600 metros quadrados. ''Dá para construir uma casa com 300 metros quadrados e ainda sobra um bom chão'', palpita o pedreiro. Um sonho para o modesto trabalhador que no seu lote de 250 metros quadrados ergueu uma morada de quatro vezes menor (77 metros quadrados) para abrigar ele, esposa e os dois filhos no agora Jardim Belleville.
Assim como a maioria dos moradores do ex-Alphaville, Nunes ficou sabendo da mudança de nome quando recebeu o carnê do IPTU. Resta agora a possibilidade de um emprego nas obras do novo empreendimento e, quem sabe, ajudar a edificar o rico AlphaVille.
A casinha ainda inacabada e com tijolos à vista não mede mais que 45 metros quadrados, mas até então era o que a condição financeira da família da dona de casa Ana Paula Cezário Garcia de Oliveira, 39, poderia comportar. A lama vermelha da Rua Wanderlei Barbosa de Castro é o ''tapete'' de acesso à casa onde Ana Paula vive com o marido porteiro e duas filhas. ''Eu e o meu marido é que tivemos que nos informar na loteadora sobre a mudança do nome. Nos garantiram que não haveria problemas'', conta Ana Paula, sem esconder uma pontinha de tristeza pela mudança do nome.
Há moradores do Jardim Belleville que também estão alheios à mudança do nome do loteamento. Como a comerciante Zoraide Aparecida da Silva, 46, para quem o local sempre será Jardim Alphaville. Ela comprou dois lotes onde construiu em um a sua residência e em outro o Bar e Merceria Alphaville, ponto de encontro da ''turma do bairro''.
Zoraide mostra fotos do início da construção da sua casa. ''Aqui era só poeira e barro'', lembra. ''Desde que nós (moradores) não sejamos prejudicados (pela mudança do nome) continuará tudo certo.''

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