Os moradores da Vila Rural das Orquídeas, em Guararavera (Zona Sul de Londrina), tiveram na madrugada de ontem o fornecimento de água reestabelecido após as chuvas que causaram destruição e prejuízo para os agricultores na semana passada. O problema é que a água, proveniente de poço artesiano, está com a coloração marrom. Após vistoria na região, a Defesa Civil de Londrina, em decisão conjunta com a administração municipal, descartou a decretação de situação de emergência.
A dona de casa Maria Cleusa Campos, 39 anos, mora há pelo menos 20 na região. Ontem, ela usava a água com coloração semelhante ao barro para cozinhar. ''Sorte que tinha um pouco de água na caixa, que estamos usando para beber e dar para as crianças'', revelou. Maria Cleusa tem cinco filhos, com idades entre 6 e 22 anos. Segundo ela, foram dois dias sem água na torneira. ''Não tinha nem como lavar roupa'', queixou-se.
A assessoria de imprensa da Sanepar informou que vai verificar a situação na Vila Rural. Declarou ainda que o fornecimento em Guaravera não sofreu paralisação apesar das chuvas e que não há risco no consumo da água com coloração .
As dificuldades enfrentadas pelos moradores, no entanto, vão além da qualidade da água. Outros agricultores da Vila Rural das Orquídeas contabilizavam ontem os prejuízos causados à lavoura. ''Hoje (ontem) o rio está bem mais baixo, mas só ficou destruição'', lamentou o produtor rural Reinaldo Isidoro de Araújo, 62. A lavoura de arroz e feijão, que seria colhida dentro de um mês, ficou completamente destruída. Ele disse ainda que, apesar dos prejuízos materiais, a família teve sorte. ''Se a água sobe quando estivesse todo mundo dormindo, não sei o que seria''.
Pelo menos três famílias - incluindo a de Araújo - deixaram as casas e estão morando em imóveis da Associação de Moradores da Vila. Os agricultores garantem que não pretendem voltar para as residências antigas, que ficam próximas ao Rio Taquara e correm risco de novas inundações. Já o agricultor Cícero de Paula Pereira, 35, calcula o prejuízo em torno de R$ 20 mil. Ele perdeu plantações de tomate, pepino, berinjela. ''Esperava um apoio maior. Até agora, ninguém veio saber se precisamos de alguma coisa'', acusou.
O diretor de operações da Defesa Civil, Rosalmir Moreira, disse que esteve no local no dia da chuva e os moradores não solicitaram nenhum tipo de auxílio. ''Se houver necessidade, voltaremos lá'', garantiu. Ele disse ainda que o estado de emergência foi descartado porque foi constatado que a prefeitura tem condições de fazer os consertos urgentes na área.
A Sanepar informou ainda que o fornecimento de água foi normalizado em Londrina, Maringá e Cambé. Em Apucarana, uma pane no sistema de motores elétricos das bombas comprometeu a captação. A normalização deve ocorrer ainda hoje.

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