Moradores sofrem com lixo em terrenos baldios
O nosso bairro é o mais sujo de Cambé. A reclamação do leitor Reinaldo Santos Gabriel, publicada este mês na seção de cartas da Folha, reflete a opinião de grande parte dos moradores do Jardim Novo Bandeirantes, região sudeste de Cambé. Ali, não só a praça e o terreno ao lado da Escola 11 de Outubro, apontados por Gabriel, estão abarrotados de sujeira. Uma rápida passagem pelas ruas já revela o improvável em outros cantos do bairro: qualquer terreno baldio - que são muitos naquela região - se transforma em depósito de lixo. Alguns ganham o triste perfil de um lixão a céu aberto.
Aqui é demais, um verdadeiro lixão! O caminhão de lixo passa num dia e no outro o pessoal jogou tudo de novo. Falta consciência nas pessoas, avalia o porteiro José Fabiano, 56 anos, seis deles como morador do chamado Novo Bandeirantes 1, localizado em um dos lados da PR-445 (o bairro é cortado pela rodovia). Fabiano mora em frente ao terreno baldio que faz divisa com a Escola 11 de Outubro e diz que já encontrou de tudo no local. Cachorro morto é comum. O duro é aguentar o mau cheiro e os mosquitos, que acabam invadindo a casa da gente, lamenta. E olha que hoje até que não tem muito lixo!
O pouco lixo relatado pelo morador não pode ser quantificado em números. O que se via no local, no começo do mês, era muito entulho, latas de tinta, sacos plásticos, sapato com sola furada, roupas rasgadas, saquinhos de lixo orgânico, vários focos de queimada e até uma armação de colchão de mola. Não faltou nem o velho fogão vermelho tombado no meio da terra.
Faz três anos que eu moro aqui e foi sempre assim. O duro é que são os próprios vizinhos que jogam. A gente não, mas outros acham mais fácil jogar o lixo aí... E tem vez que está mais feio, dizia a dona de casa Jovina Batista Guimarães, 54 anos, que também mora em frente ao terreno baldio. Uma vez eu até fui à prefeitura reclamar, mas o moço que me atendeu disse que não dava para fazer nada porque, quando o terreno é limpo, o povo joga tudo de novo.
O presidente da Associação de Moradores do Novo Bandeirantes, José dos Santos, 52 anos, disse que a entidade já se mobilizou para resolver o problema do lixo. A prefeitura, junto com a associação, está limpando. Mas não terminou ainda. O serviço era para demorar duas semanas, mas já dura três. É que o rapaz está trabalhando sozinho, informou o presidente - que é conhecido na região como Zé da Horta e mora do Novo Bandeirantes há quase 30 anos. Por isso o povo reclama.
Para o secretário municipal de Obras de Cambé, Waldemar Della Libera, parte da população é mesmo responsável pela grande quantidade de lixo no bairro. O caminhão de lixo passa três vezes por semana, mas o morador prefere o terreno baldio. E quando faz reforma na casa, não contrata uma caçamba. Aí cria essa imundice. Assim fica difícil, lamenta o secretário.
Para acabar com a sujeira, Della Libera diz que a prefeitura está promovendo um mutirão de limpeza que já passou por outros bairros de Cambé, como São Paulo e Santa Izabel. Agora começamos a fazer também na região do Grande Novo Bandeirantes, afirma. Para o trabalho, a prefeitura reservou três caminhões basculantes e uma pá-carregadeira. Segundo o secretário, o material coletado está sendo colocado num depósito da prefeitura.
Junto com esse trabalho, estamos também distribuindo panfletos pedindo para a população não jogar mais lixo. É preciso que entendam que eles mesmos são os mais prejudicados, diz Della Libera. No Santo Amaro e no São Paulo, por exemplo, já fizemos isso e deu resultado, a sujeira diminuiu. Por isso, a gente acredita que isso também vá ocorrer no Novo Bandeirantes.
O leitor Reinaldo Santos Gabriel, que escreveu para Folha reclamando do lixo, concorda que muitos dos problemas no Novo Bandeirantes são mesmo causados pelos próprios moradores. Por isso, ele até se propõe a ajudar em qualquer trabalho de conscientização dos vizinhos.
Não quero só criticar. Se puder ajudar, também ajudo, garantiu. O morador, no entanto, faz uma sugestão: a prefeitura ao menos poderia cuidar do lixo diferenciado como galhos e material de construção. Porque o povo não tem dinheiro para contratar caçamba. Então ajudaria bastante, argumentou.Paulo WolfgangLixãoEntulho, latas de tinta, sacos plásticos, todo tipo de lixo é jogado em terrenos baldios do Jardim Novo Bandeirantes em Cambé. Quem mora em frente aos depósitos se queixa da sujeira. A prefeitura afirma que população é responsável pelo problema e decide promover mutirão de limpezaLúcio Horta





