‘‘A vida começa depois da linha do trem’’, observa Orides Paulino Pontes, de 31 anos, que relata a falta de infra-estrutura e a dificuldade de transporte dos habitantes das Moradias Pantanal. Todos os dias, crianças, mulheres e homens do assentamento têm que atravessar trilhos e passar entre os vagões estacionados no pátio da Ferrovia Sul Atlântico para chegar à ‘‘civilização’’.
Postos de saúde, escolas, farmácias e pontos de ônibus só podem ser encontrados após essa arriscada passagem. Segundo depoimento dos moradores, várias pessoas já caíram e ficaram feridas ao cruzar o pátio dos vagões. ‘‘Viemos morar aqui não porque gostamos, mas porque precisamos’’, comenta Orides Pontes.
Apesar das melhorias trazidas pelo programa da universidade, os moradores convivem com sérios problemas de infra-estrutura. A bomba que abastecia cerca de 250 residências com água potável está queimada desde domingo. Os moradores fizeram um orçamento e teriam que gastar R$ 1.660,00 para trocar o equipamento. Ontem, enquanto eles iniciavam a coleta do dinheiro, as pessoas utilizavam a água contaminada de bicas e poços individuais.
‘‘Viemos para Curitiba sem nada e hoje a vida continua difícil’’, conta a dona de casa Aparecida Ione de Almeida, de 45 anos. A família dela trabalhava na roça em Ubiratã (Oeste do Paraná) mas, com as dificuldades de obter emprego, resolveu vir para Curitiba. Hoje ela é viúva, sobrevive com uma pensão de um salário mínimo e tem que sustentar um filho de 11 anos.
O esgoto das residências nas Moradias Pantanal é despejado a céu aberto e desemboca diretamente nas cavas do Rio Iguaçu. A ciclovia que passava nos fundos da área, em direção ao Zoológico, foi interrompida com a erosão provocada pelo esgoto. Em algumas casas, o muro virado em direção ao esgoto já desabou. As ruas são de terra e as partes mais baixas sofrem alagamentos constantes com as chuvas. (G.P.)

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