Moradores serão realocados até final do ano
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de 400 casas no bairro da Vila da Madeira, em Paranaguá, Litoral paranaense, deverão ser transferidas de áreas de risco próximas a empresas que manipulam material inflamável. A idéia de realocar os moradores, que vivem próximos ao Terminal Público de Álcool, é antiga e voltou à discussão por conta de um incêndio ocorrido no local na semana passada. Ninguém se feriu, mas se o fogo se alastrasse, atingindo alguma das empresas, as consequências seriam graves.
Segundo o superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, a realocação deve ocorrer até o final do ano e vai custar entre R$ 4,5 e R$ 5,5 milhões. O processo de tranferência começa depois que uma série de estudos for feita para oferecer menor impacto à vida dos moradores. O bairro fica próximo ao Porto de Paranguá, onde muitos moradores trabalham. Com a mudança, passariam a viver longe do trabalho. ''É preciso realocar essas pessoas para áreas que não tragam prejuízo a elas.''
O bairro fica próximo a uma série de empresas que manipulam produtos inflamáveis que, a Appa, já estão na área há mais de 25 anos. Já os moradores ocuparam a região pública de forma irregular. As primeiras invasões do local ocorreram há cerca de 20 anos.
Quando o Terminal Público de Álcool foi instalado, em 2006, a Appa solicitou ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) a transferência dos moradores. A negociação de realocação funcionou em um primeiro momento. Depois os moradores passaram a supervalorizar as casas, impossibilitando que a transferência seguisse adiante.
Segundo a secretária de Habitação e Gestão Fundiária de Paranaguá, Vânia Foes, as áreas ocupadas pertencem ao governo estadual. Por ser uma área de ocupação irregular, os moradores não teriam direito a indenização referente ao lote, apenas às benfeitorias, ou seja, receber somente o valor da casa construída.
Apesar de Paranaguá não ter muitas áreas para abrigar a realocação desses moradores, Vânia diz que a prefeitura apóia a transferência. ''Se fossem para outros lugares, os moradores estariam em melhor situação do que vivem hoje. É questão de segurança.''
Enquanto a realocação não é realizada, o Corpo de Bombeiros alerta para o perigo que a área oferece. O sub-comandante da Região Litoral, capitão João Emmanuel Benghe, diz que, pela condição do local, há riscos. ''Não podemos afirmar que vai ocorrer um incêndio, mas é uma área sensível, que inspira cuidados'', diz.
Segundo ele, não só a proximidade é um problema, mas a disposição e construção das casas é um agravante. No bairro, a maioria das casas é de madeira. Além disso, são muito próximas uma das outras, dificultando o acesso de carros de bombeiro ao local. Quanto à realocação do moradores, o capitão diz que a corporação apóia a iniciativa, desde que seja realizada de forma legal e estruturada.


