Os moradores de uma rua localizada no Jardim Alto da Boa Vista (Zona Norte de Londrina) vivem às escuras. Dentro de suas casas há luz, mas quando saem para a rua durante a noite, caminham na escuridão. Sem asfalto e sem postes de luz, a rua, conhecida pelos moradores como Francisco Mendes, conta com cerca de 20 famílias. A grande maioria chegou no local há mais de dez anos e desde então paga a taxa de iluminação pública.
O aposentado Amado Silvério Dias, mora na casa de número 13 há 15 anos. Ele disse que já reclamou várias vezes na Copel, mas o valor continua sendo cobrado. ''Tem vezes que a gente reclama, eles tiram, depois de um tempo vem cobrado de novo. Aqui a gente anda na escuridão. Não sabemos se estamos pisando em sujeira de cachorro, se tem buraco... vamos indo, até chegar em casa''.
Outro morador da rua, o carroceiro Roberto Dias, cansou da escuridão. Ele instalou um holofote na frente de sua casa, voltado para a rua, para iluminar o local onde guarda os cavalos. ''Puxei essa lâmpada que é bem forte. A noite aqui é terrível, ninguém enxerga nada'', reclamou.
Mas o gerente do departamento de receita da Copel, Cláudio Aires, explicou que o que os moradores pagam à Copel não é uma taxa, mas sim a contribuição para o custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip), que segundo ele, é um pagamento obrigatório e legal. Aires disse que desde 2002 o Cosip foi acrescentado à Constituição da República autorizando a cobrança na forma das leis municipais. Em Londrina, a substituição da Cosip pela taxa de iluminação pública ocorreu por meio da Lei Municipal 9.013, de 23 de dezembro de 2002.
''Independente se há ou não luz na frente de uma casa, é cobrado ao usuário a utilização coletiva da iluminação. A Copel fornece luz para todos e o valor dessa contribuição varia de acordo com o consumo, ou seja, quem gasta menos, paga menos'', disse.
O problema da falta de luz deve demorar para ser solucionado, principalmente porque onde as famílias moram é um local em processo de regulamentação pela Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a verdadeira Rua Francisco Mendes é paralela à rua dos moradores e lá existe asfalto e postes de luz. A prefeitura informou também que trata-se de uma ocupação irregular e que as casas ficam próximas a um fundo de vale. Dependendo das avaliações técnicas da Cohab, os moradores podem até ser retirados do local.

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