Moradores se unem contra festa rave
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sexta-feira, 14 de março de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Moradores do distrito do Espírito Santo, em Londrina, fizeram um abaixo-assinado contra a realização de uma festa rave em uma propriedade local neste domingo. Eles entregaram cópias do documento, com cerca de 50 assinaturas, para a promotoria do Meio Ambiente, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Prefeitura, a fim de impedir a realização do evento. ''Estamos preocupados com a nossa segurança e em preservar a pouca paz que temos'', alegou um morador do distrito, que preferiu não se identificar.
Segundo o morador, que vive próximo ao sítio São Luiz, onde deve ser realizada a festa, há duas granjas (uma delas com mais de 20 mil aves) que podem ser seriamente prejudicadas com o barulho. ''Os frangos podem apresentar um alto índice de mortalidade e ferimentos devido ao estresse causado'', alertou.
Ele acrescentou que os moradores temem um aumento de ocorrências no distrito no decorrer do evento, que costuma varar a madrugada. ''A gente sabe que em eventos como esse há muita droga. Estamos tentando alertar as autoridades sobre o mal que pode acontecer.''
Segundo Thiago Campos, um dos organizadores da festa, o horário de início do evento foi transferido da meia-noite para as oito horas da manhã de domingo para tentar evitar problemas para os moradores. ''Nós estamos buscando a melhor solução para todos e gostaríamos de conversar com os moradores para entrarmos em consenso'', afirmou.
O organizador explicou ainda que não haveria como cancelar a rave. ''Essa festa tem um grande público de outras 15 cidades da região. É muita gente envolvida também na organização. Não dá para cancelar de última hora'', explicou. ''O maior problema é o medo que as pessoas têm. Esta é uma festa com música eletrônica, como nas boates. A diferença é que nós reunimos vários DJs e levamos para um espaço aberto, onde cabe mais gente, e o tempo de festa é maior'', descreveu.
Campos ressaltou que problemas com drogas podem ocorrer em qualquer evento. ''Nós fazemos uma revista detalhada na entrada da festa e temos total segurança. E se fosse dentro da boate nem haveria tanta fiscalização'', alegou. O organizador informou que iria sugerir uma parceria com a polícia para intensificar a fiscalização na entrada da rave, para coibir a entrada de drogas e até prender traficantes.
Até o início da tarde de ontem, os organizadores ainda não haviam levado os documentos necessários para obter o alvará da prefeitura, permitindo a realização do evento. ''Como há uma reclamação por parte dos moradores, nos reunimos com a promotora do Meio Ambiente e solicitamos um laudo do IAP sobre o impacto ambiental. Tudo isso vai ser analisado'', revelou Olavo Barros de Azevedo Neto, coordenador de fiscalização.
No final da tarde, o delegado-chefe Sérgio Barroso se reuniu com representantes da Vara da Infância e Juventude e Ministério Público para discutirem o assunto. A Polícia não concedeu o alvará porque os organizadores não comprovaram que o local teria condições de abrigar o evento. O laudo exigido pelo IAP também não teria sido entregue. Um dos organizadores conversou com o delegado e confirmou que a festa teria mudado de horário, com início às 8 horas e término previsto para as 22h30. (Colaborou Luciano Augusto)


