Moradores se recusam a sair
Moradores se recusam a sair
Maria Nogueira de Souza: só aceita sair se receber quatro casasO paraguaio Moisés Perez: Tudo que ganhei na vida está aquiO comerciante Geraldo Cândido de Amorim: Não posso largar tudoO desfavelamento da área central de Foz do Iguaçu está encontrando resistência de boa parte dos moradores. Vinte e sete famílias se recusam a deixar a Favela Monsenhor Guilherme e uma não quer sair da Favela do Monjolo. Apenas na Favela da Marinha a desocupação já foi completada.
As famílias têm cinco alegações principais: os terrenos que ocupam são valiosos, o novo núcleo está muito distante do centro da cidade, tem pouca infra-estrutura e nenhuma opção de trabalho e a prestação das casas é muito cara. Ao invadir terrenos públicos na margem do Rio Paraná, essas famílias nada pagaram pelos terrenos e ergueram as casas aos poucos, por conta própria.
A dona de casa Maria Nogueira de Souza, 44 anos, diz que só aceita se mudar se receber quatro casas - uma para cada um de seus filhos - quitadas. Viúva, Maria sustenta a família com a pensão de R$ 250,00. Há 13 anos, eles vivem em um terreno amplo na Favela Monsenhor Guilherme, onde já construíram duas casas pequenas. Para deixar o local, Maria exige indenização. Ela avalia que o valor da propriedade chegue a R$ 200 mil.
O motivo que mantém o paraguaio Moisés Perez, 54 anos, na mesma favela é a proximidade com seus locais de trabalho. Pedreiro, Perez vai trabalhar a pé no centro da cidade, distante apenas duas quadras de sua casa. Nos 25 anos que morou na favela, ele construiu quatro casas de alvenaria, uma para cada um de seus filhos. Tudo que ganhei na vida está aqui.
Outro morador que resiste à mudança é Geraldo Cândido de Amorim, 58 anos. Não posso largar tudo aqui e comprar tudo lá, afirma Amorim, que sustenta a mulher e cinco filhos com o faturamento de um modesto bar - no máximo R$ 200,00 mensais. O comerciante diz que gastou R$ 10 mil no local e agora quer salvar um pouco do investimento.
A prefeitura está notificando os moradores e vai tentar retirá-los por meio de ações de despejo. (V.D.)





