Moradores do entorno do Parque Ney Braga, na Zona Oeste de Londrina, estão na reta final dos preparativos para a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, que começa hoje. A população do Jardim São Francisco aproveita o movimento que a exposição gera para garantir um bom faturamento durante os 11 dias de evento. Os quintais das casas viram estacionamentos improvisados e as esquinas tornam-se espaços ideais para a montagem de quiosques e barracas que comercializam produtos alimentícios.
Muitos deles fizeram desse comércio em feiras um meio de garantir o sustento. O comerciante Donizeti Aparecido Benedito relata que há 15 anos trabalha com a comercialização de alimentos em períodos de exposição agropecuária. Ele, que trabalhava na construção civil, viu que o comércio de doces e salgados durante essa época era um filão a ser explorado devido ao fluxo grande de pessoas que circula nos arredores do Ney Braga. ''Meu faturamento varia entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, mas este ano espero comercializar cerca de 40% a mais'', projeta.
Benedito conta que vende cerca de dois mil doces, principalmente maçã do amor, durante o evento. Benedito, que é londrinense, passou a acompanhar as feiras agropecuárias em várias cidades para aproveitar o movimento. ''No mês que vem vamos para Maringá (Noroeste) e depois para Ourinhos (SP)'', relata.
Refeição
Há aqueles que aproveitam não só a feira, mas o movimento anterior e posterior do evento. O comerciante Antônio Caldeira comercializa refeição caseira para trabalhadores que realizam a montagem de estandes, brinquedos e quiosques do parque. Mesmo antes da Exposição começar ele já está faturando com a venda de cerca de 50 refeições diárias. '' Não é pouca coisa não, é muita comida'', relata.
Caldeira conta que durante todo o período da exposição, incluindo montagem e desmontagem de toda a infra-estrutura, chega a faturar cerca de R$ 60 mil. ''Eu consigo tirar R$ 20 mil livre'', ressalta, informando que possui uma equipe de 18 pessoas que trabalha com a cozinha, na captação e entrega de marmitex. ''É um self-service completo, com 12 pratos quentes e 12 tipos de saladas'', descreve.
Para conseguir um espaço para trabalhar perto da exposição vale até alugar o quintal de vizinhos do Parque. ''Eu pago R$ 1,5 mil para o proprietário da casa para poder explorar um estacionamento de motos aqui'', relata Mardoqueu Cabral. Ele conta que o espaço é suficiente para abrigar 60 motos e consegue faturar cerca de R$ 3 mil, mas que seu lucro é de menos de 50%, pois precisa de duas pessoas para cuidar das motos.
Há aqueles que criam sua identidade em função desse comércio. O vendedor de cocadas Edmilson Gomes de Lima relata que trabalha há 20 anos no entorno da exposição e que hoje ninguém mais o chama pelo nome, mas pelo apelido Cocada Londrina. ''Em todas as cidades em que eu monto a barraca de cocadas, as pessoas me conhecem por Cocada Londrina. Eu comercializo uma média de 1,5 mil doces durante o evento aqui em Londrina e, tirando as despesas, consigo tirar R$ 1 mil'', relata.
Para a associação de Moradores do Jardim São Francisco a exposição agropecuária também é uma ótima oportunidade de obter recursos para realizar melhorias na entidade. Segundo Hélio Cândido Rosa, membro da entidade, a associação fica responsável por cuidar de uma faixa de estacionamento que fica ao lado do parque de exposições, cedida pela Sociedade Rural do Paraná e, ao mesmo tempo, eles abrem o alambrado do campo de futebol para explorar como estacionamento. ''Com o dinheiro eles podem reformar o campo de futebol, o alambrado e até realizar outras melhorias na associação'', relata Rosa.

mockup