Moradores se desdobram para 'driblar' racionamento
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Micaela Orikasa e Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
O londrinense está sentindo na pele o calor das últimas semanas, quando os termômetros ultrapassam os 30º C e a estiagem, interrompida apenas por ligeiras pancadas de chuva, colabora para aumentar ainda mais a sensação térmica e, consequentemente, o consumo de água.
Esse verão antecipado força toda a população a fazer a sua parte, adotando medidas de economia para evitar um desabastecimento geral. Desde o dia 5 deste mês a Sanepar tem adotado o rodízio de racionamento para manter os grandes reservatórios abastecidos.
Tomar banho na casa de parentes, armazenar água de chuva são algumas das alternativas encontradas pelos moradores de Londrina. Na residência de Mitsuyuki Kaji, no Parque Waldemar Hauer (zona leste), um reservatório de água para captar a água da chuva foi construído há três anos. O aposentado de 73 anos revelou que não tem sofrido com o rodízio adotado pela Sanepar, já que a água do reservatório é usado para lavar a casa, a calçada, o carro e regar as plantas.
O reservatório tem capacidade para mil litros de água e, mesmo com a falta de chuva há várias dias, ainda restam 200 litros. ''Estou pensando até em ampliar o reservatório para cinco mil litros, para poder utilizar a água em outras funções'', projetou.
Piscina
A dona de casa Silvana Nazaré Martins, de 34 anos, é moradora do Jardim Leonor (zona oeste) e está há cinco dias sem água. Para driblar os problemas, nos últimos dias ela recorreu à água de uma piscina plástica que tinha enchido antes do racionamento. A água, usada na para lavar roupas e ser usado no banheiro, porém, já acabou. ''Eu tenho que dar banho nas crianças e uma alternativa é recorrer aos vizinhos. Tenho enchido baldes de água na casa deles'', conta Silva, que tem quatro filhos, sendo dois menores de dez anos.
No Jardim Santa Rita, também na zona oeste, a falta de água tem feito as pessoas se deslocarem para a casa de parentes. A dona de casa Nilva Terezinha Loosi, de 53 anos, está há três dias sem água e conta que tem ido à casa do filho para tomar banho. Ela informou também que em vez de utilizar água para a limpeza de casa, vem usando os produtos de limpeza puros. ''Isso vai aumentar bastante o meu gasto'', lamentou.
Emergência
De acordo com a assessoria de imprensa da companhia, o rodízio acontece pela divisão do município, incluindo Cambé, em três regiões, que sofrem um corte de abastecimento a cada dois dias. Com isso, cerca de 20 mil habitantes ficam sem água diariamente. Ontem, mais de 50 bairros das regiões oeste e norte de Londrina e em Cambé ficaram sem água durante todo o dia.
Para se ter uma ideia da necessidade de economizar água, a assessoria explica que normalmente os reservatórios da Sanepar amanhecem com no mínimo 60% de nível de água. Nas últimas semanas, esse percentual caiu para menos de 30%. A companhia tem trabalhado com a capacidade máxima de produção e investido em melhorias no sistema, com a perfuração de dois poços emergenciais e a substituição de uma bomba que aumenta a capacidade de captação.
Em casos emergenciais, a companhia tem disponibilizado caminhão-pipa quando solicitado por entidades públicas afetadas com o corte de economia, como em unidades de saúde e delegacias. Somente estes serviços são considerados prioritários.
Diante dessa realidade, fica evidente a necessidade da população tomar consciência sobre o consumo racional de água para evitar que a situação se agrave, pois segundo o Instituto Tecnológico Simepar a previsão até a próxima semana segue nos moldes dos últimos dias, com altas temperaturas e apenas pancadas de chuva no período da tarde. ''É normal ocorrer este tipo de chuva nesta época do ano, assim como as altas temperaturas, mas este ano estamos registrando 2º C acima da média'', observa o meteorologista Paulo Barbieri.


