Moradores do Jardim Oriente, zona leste de Londrina, passaram uma semana apreensivos com a proliferação de um tipo de inseto num terreno baldio na Avenida São João, próximo à esquina com a Rua José Francisco Machado. Alguns vizinhos da propriedade chegaram a desconfiar que os animais, que aparecem às centenas, são bichos barbeiros, responsáveis pela transmissão da doença de Chagas.
A preocupação só foi dirimida no início da tarde de ontem, quando uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde esteve no local e descobriu que os insetos são na verdade besouros chamados predadores, ou ''tabijuás''. ''São bichos inofensivos, que se alimentam só de plantas e não picam o homem'', explicou o coordenador da equipe de doença de Chagas e esquistossomose do setor de endemias da Secretaria, Jaime Clementino de Castro,.
''Trabalhei com café quando estava na ativa, e percebi que estes insetos tinham as características físicas do barbeiro, além do mau cheiro. Se você pisa em um, acaba com o seu almoço'', disse o aposentado Antônio Berveglieri, que mora numa rua nas cercanias do terreno. Ele explicou que os percevejos começaram a aparecer há uma semana. ''Moro aqui há quatro anos e nunca vi nada igual nesse terreno'', garantiu.
Um empregado do proprietário do terreno, que não quis se identificar, disse que seu patrão corta o mato do local a cada quatro meses e que daqui a três meses pretende iniciar uma obra na área. ''Nunca vimos estes bichos por aqui'', afirmou. O dono da área não foi localizado pela reportagem.
O coordenador de endemias da Secretaria de Saúde, Luiz Alfredo Gonçalves, explica que os barbeiros são mais facilmente encontrados em áreas rurais. ''Existem 100 espécies catalogadas deste percevejo (transmissor do Chagas), sendo que 42 têm registro no Brasil e apenas três ou quatro apareceram em Londrina'', garante Gonçalves.

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