Com acesso difícil e perigoso em função do grande movimento de carros e caminhões na PR-445, a entrada do Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul de Londrina) é constante alvo de reclamações dos moradores e empresários que trabalham na região. A preocupação é maior com as crianças que atravessam a pista até o Jardim União da Vitória ou voltam de lá para frequentar a escola e buscar atendimento médico.
Morador do bairro há pouco mais de dois anos, o auxiliar de serviços gerais Cristiano Marcelo da Silva utiliza uma bicicleta para chegar até o Centro da cidade. Circulando pelo acostamento, ele enfrenta a velocidade de caminhões, principalmente nas curvas próximas à entrada do conjunto.
Silva considera o trecho muito perigoso e afirma que já presenciou cenas arriscadas de pessoas que precisam atravessar a pista. ''Os carros vêm em alta velocidade e não têm tempo de frear. Já vi muita gente quase ser atropelada aqui.'' Para ele, o maior perigo é com as mães que precisam levar as crianças até a Unidade Básica de Saúde do União da Vitória ou mesmo para as que precisam utilizar a escola, no Jamile Dequech. ''Tem que ser rápido, correr e não parar'', afirma.
Em grupo, Edna Nunes dos Santos, a amiga Elisabete de Souza e os adolescentes Paula Pereira, 14 anos, e Fábio Carlos da Silva, 16, atravessam todos os dias a pista, do União da Vitória em direção a uma recicladora de lixo no Jamile Dequech. ''É um perigo. Já cheguei no meio da pista e tive que voltar correndo para não ser atropelada'', contou Elisabete. ''Um monte de gente já morreu aqui'', completou a adolescente. ''Você tem que olhar bem dos dois lados e sair correndo porque os carros não páram'', complementa Édna.
Para o casal Inês Alves Cândido e Márcio Aparecido Gallo, catadores de papel, o perigo também é constante. Com carrinhos de mão, eles saem pela manhã e seguem pelo acostamento para chegar até o Centro da cidade e recolher papel. Só retornam para casa à noite, quando consideram o perigo ainda maior por causa da escuridão. ''Parece que os caminhões correm mais e sem luz; muitos vêm pelo acostamento. Fica difícil ver a gente'', reclamam.
O empresário Márcio Adriano de Oliveira, possui uma propriedade na área próxima ao Jamile Dequech. Todos os dias ele se aventura para chegar à propriedade. ''Agora mesmo precisei fazer uma manobra mais arriscada para entrar aqui. Ninguém dá a volta lá em cima para entrar no conjunto''. O mesmo acontece com o motoqueiro José Ferreira, que utiliza a pista todos os dias para ir ao trabalho. ''Nunca sofri nenhum acidente, mas já vi muita gente se arriscando''.

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