Cercados por terrenos abandonados, os moradores do Jardim Morumbi (zona leste de Londrina) convivem com grandes áreas tomados pelo mato, que impedem a visão das ruas, escondem marginais e onde proliferam insetos e ratos.
‘‘A prefeitura não deveria demorar tanto para providenciar a limpeza. Não devia deixar chegar a este ponto’’, reclama o presidente da Associação dos Amigos do Jardim Morumbi, Manoel Portugal. Ele afirma saber que pelo menos 90% dos terrenos abandonados são de particulares. ‘‘Mas eles não ligam para a nossa situação. Então cabe à prefeitura agir’’, defende.
Portugal conta que além do desconforto com a presença de insetos, e do medo do risco de contrair doenças como a dengue, a maior preocupação dos moradores é com a falta de segurança. Ele denuncia que os terrenos cheios de mato são usados por grupos de desocupados para fumar maconha e por ladrões. Com medo, a população evita sair de casa depois das 19 horas.
O presidente da Companhia de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella tranquiliza os moradores do bairro. ‘‘Até o início da próxima semana vamos ter quatro empresas trabalhando na limpeza dos terrenos, o que deverá agilizar o atendimento à população’’. A companhia vai priorizar os bairros residenciais onde a situação é mais grave com equipes atuando nas quatro regiões da cidade.
A limpeza nos terrenos particulares começou a ser feita ontem pela CMTU.
Em Londrina existem aproximadamente 29 mil terrenos particulares vazios. Destes, cerca de 18 mil estão cobertos por mato. Além dos terrenos particulares, muitos terrenos pertencentes ao poder público também estão abandonados, e tomados por mato e sujeira, como a reportagem da Folha pôde constatar em vários locais da cidade.
A explicação da CMTU para a situação é a falta de pessoal para fazer o serviço. O número de trabalhadores da Frente de Trabalho, principais responsáveis pela manutenção das áreas públicas caiu de 350 para 120. A maioria aderiu ao Plano de Demissão Incentivada (PDI).
Para solucionar o problema, a CMTU está contratando nos próximos dias mais duas empresas para realizar o serviço. Wilson Sella acrescenta que o clima característico desta época do ano prejudica os trabalhos de roçagem e capinagem. As chuvas frequentes impedem a continuidade dos trabalhos e fazem com que o mato cresça muito mais rápido que o normal.
Sella ressalta ainda que a limpeza dos terrenos públicos é feita pelo menos três vezes por ano. Ao todo a CMTU pretende limpar 5 milhões de metros quadrados – 50% de área pública e 50% em terrenos particulares, até março. Em maio, o trabalho recomeça. A terceira e última limpeza do ano está programada para começar em agosto. ‘‘A verdade é que a limpeza dos terrenos particulares acaba tomando tempo e recursos humanos que poderiam estar sendo ocupandos em as áreas públicas. Mas na falta de conscientização tentamos fazer o melhor possível’’, finalizou.

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