Moradores saem às ruas contra frigorífico
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de novembro de 2000
Celso Mattos de Londrina 
Moradores dos bairros próximos ao Frigorífico Frigozé, localizado no Jardim Santa Mônica, zona norte de Londrina, realizaram ontem de manhã uma passeata em protesto contra a reabertura do estabelecimento, previsto para janeiro de 2001. Participaram do movimento cerca de mil pessoas. O frigorífico fica em uma área de fundo do vale de seis alqueires, às margens do Ribeirão Quati. A empresa foi desativada há 12 anos por problemas financeiros.
A passeata, que começou na Associação dos Moradores do Parque Residencial Santa Mônica, se concentrou em frente ao portão do frigorífico, na Avenida Nassin Jabur (marginal da Avenida Brasília) e terminou com um culto ecumênico na proximidade do Ribeirão Quati.
Segundo o advogado Jorge Custódio, do Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH) e morador do bairro, a reabertura do estabelecimento vai prejudicar cerca de 20 mil pessoas. Além de poluir a água do rio, causar mau cheiro e poluição sonora, vai desvalorizar os imóveis, argumentou.
Na sexta-feira à tarde, o diretor do Instituto de Pesquisa e Planjeamento Urbano de Londrina (IPPUL), José Adalberto Nogueira de Azevedo, assinou certidão confirmando que a área onde está situado o Frigozé é considerada ZR-3 (zona residencial) pela lei de zoneamento urbano, o que proíbe a instalação de estabelecimento industrial na região. Por esse motivo, queremos o cancelamento do alvará de funcionamento que foi concedido de maneira precária e que precisa ser revisto. Lei existe para ser respeitada, disse Jorge Custódio.
Ele reconhece que a reabertura do frigorífico significa novas possibilidades de emprego, mas o custo disso será muito alto. O gasto que o município terá para despoluir rios e os problemas de saúde que isso pode representar não compensam esse benefício, argumenta Custódio.
A dona de casa Sueli Marçal Andreaza, moradora do Santa Mônica há 14 anos, que participou da passeata segurando uma cabeça de boi, lembra que quando o frigoríficao estava em funcionamento, o mau cheiro era insuportável. Chegava causar naúsea e tirava o apetite da gente. O teto da casa ficava cheio de moscas, era um verdadeiro inferno.
Quarta-feira, às 14 horas, está agendada uma audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir o assunto. Vão estar presentes entidades como Ministério da Agricultura, Secretaria de Obras, IPPUL, Prefeitura de Ibiporã o Ribeirão Quati desaguá no Rio Jacutinga, que abastece o município, localizado a 14 quilômetros a leste de Londrina e o proprietário do frigorífico, o ex-delegado Natel Gomes de Oliveira.


