Moradores dos bairros próximos ao Frigorífico Frigozé, localizado no Jardim Santa Mônica, zona norte de Londrina, realizaram ontem de manhã uma passeata em protesto contra a reabertura do estabelecimento, previsto para janeiro de 2001. Participaram do movimento cerca de mil pessoas. O frigorífico fica em uma área de fundo do vale de seis alqueires, às margens do Ribeirão Quati. A empresa foi desativada há 12 anos por problemas financeiros.
A passeata, que começou na Associação dos Moradores do Parque Residencial Santa Mônica, se concentrou em frente ao portão do frigorífico, na Avenida Nassin Jabur (marginal da Avenida Brasília) e terminou com um culto ecumênico na proximidade do Ribeirão Quati.
Segundo o advogado Jorge Custódio, do Centro de Direitos Humanos de Londrina (CDH) e morador do bairro, a reabertura do estabelecimento vai prejudicar cerca de 20 mil pessoas. ‘‘Além de poluir a água do rio, causar mau cheiro e poluição sonora, vai desvalorizar os imóveis’’, argumentou.
Na sexta-feira à tarde, o diretor do Instituto de Pesquisa e Planjeamento Urbano de Londrina (IPPUL), José Adalberto Nogueira de Azevedo, assinou certidão confirmando que a área onde está situado o Frigozé é considerada ZR-3 (zona residencial) pela lei de zoneamento urbano, o que proíbe a instalação de estabelecimento industrial na região. ‘‘Por esse motivo, queremos o cancelamento do alvará de funcionamento que foi concedido de maneira precária e que precisa ser revisto. Lei existe para ser respeitada’’, disse Jorge Custódio.
Ele reconhece que a reabertura do frigorífico significa novas possibilidades de emprego, mas o custo disso será muito alto. ‘‘O gasto que o município terá para despoluir rios e os problemas de saúde que isso pode representar não compensam esse benefício’’, argumenta Custódio.
A dona de casa Sueli Marçal Andreaza, moradora do Santa Mônica há 14 anos, que participou da passeata segurando uma cabeça de boi, lembra que quando o frigoríficao estava em funcionamento, o mau cheiro era insuportável. ‘‘Chegava causar naúsea e tirava o apetite da gente. O teto da casa ficava cheio de moscas, era um verdadeiro inferno.’’
Quarta-feira, às 14 horas, está agendada uma audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir o assunto. Vão estar presentes entidades como Ministério da Agricultura, Secretaria de Obras, IPPUL, Prefeitura de Ibipor㠖 o Ribeirão Quati desaguá no Rio Jacutinga, que abastece o município, localizado a 14 quilômetros a leste de Londrina – e o proprietário do frigorífico, o ex-delegado Natel Gomes de Oliveira.

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