Uma cidade funciona como o sistema circulatório do corpo. É preciso que o fluxo seja bom para que o sangue leve oxigênio para todas as partes do corpo. Entre todos os modais de mobilidade urbana, boa parte da cidade utiliza o transporte coletivo para se locomover. Uma das vantagens de Londrina é que existe a integração de uma linha para outra pagando uma única tarifa, no entanto, nos terminais de bairro, há a reclamação que muitas vezes alguns destinos recebem ônibus com intervalos mais longos que outros.

A auxiliar de enfermagem Luzia dos Santos, 65, é um exemplo. Moradora do jardim do Sol (zona oeste), ela sempre pega dois ônibus para se deslocar para o trabalho no Centro. "Do terminal de bairro para o centro, principalmente nos fins de semana, os ônibus não passam com muita frequência. Deveriam ter horários dessas linhas mais próximos um do outro", reclamou. Ela afirmou que muitas vezes fica mais tempo esperando o transporte coletivo do que no deslocamento - há um intervalo de 40 minutos entre um ônibus e outro e o deslocamento dura 20 minutos em média.

Para quem faz do transporte um meio de sustento, circular por Londrina tem se tornado bastante desgastante. O taxista Brás Antônio de Souza, 58, atua há 15 anos e reclama da falta de transposições na cidade, principalmente onde há rotatórias, já que há congestionamentos constantes. "Para quem está no trânsito o tempo inteiro, há um risco maior de se envolver em um acidente, não por falta de atenção, mas pelo fato do fluxo estar intenso. Do Centro até a Gleba Palhano (zona sul), nos horários de pico, você fica de 20 minutos a meia hora preso no trânsito. Além disso, se tivesse um transporte coletivo de ótima qualidade, o pessoal optaria mais por andar mais de ônibus e isso diminuiria o tráfego", destacou.

Para quem se locomove de moto, a falta de uma boa sinalização é um dos principais problemas apontados. A dona de casa Leila Galhardo Torres da Silva, 48, é moradora do jardim União da Vitória 2 (zona sul), e se desloca de motocicleta pela cidade, mas afirmou que vê placas tortas e sem manutenção e pinturas horizontais apagadas. "Isso com certeza deve ter provocado acidentes." No entanto, sua maior reclamação é que o londrinense não dirige bem. "Eles arriscam muito; não param onde é sinalizado para eles pararem e não dão seta."

Já o vendedor autônomo Gilson Rodrigues de Moraes, 52, que reside no conjunto Vivi Xavier (zona norte), circula muito por Londrina como pedestre. Segundo ele, 70% do Centro está bem sinalizado. "Onde há mais fluxo, tem boa sinalização, mas os bairros são esquecidos. Há falta de placas e de pinturas", disse, ele, acrescentando que nem sempre a faixa para pedestres é respeitada pelos motoristas.

Para o ciclista Ariel dos Reis, 26, toda via pública deveria ter ciclovias. "Moro na rua Quintino Bocaiúva (Centro) e trabalho em um restaurante no Parque Guanabara (zona sul). No meu caminho tem uma das poucas ciclovias da cidade, da rua Paranaguá até a avenida J.K. Mas mesmo nela as pessoas não respeitam os ciclistas. As fechadas e as estacionadas repentinas são constantes", declarou. Segundo ele, a falta de educação no trânsito é uma questão cultural. "Tenho certeza que cada pessoa que me fechou no trânsito, se fosse o filho dela, não faria. É uma questão de empatia."

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