Gilson AbreuMovimentoVista parcial do Boqueirão, bairro no qual moradores reclamam da concentração de indústrias poluidoras e pedem maior fiscalização municipal Moradores do Boqueirão, na região sul da cidade, querem impedir a instalação de empresas poluidoras e exigir das autoridades maior fiscalização das indústrias do bairro. Segundo os moradores, as empresas da região estariam jogando lixo e material inflamável nos rios, valetas e áreas desocupadas do bairro. A denúncia foi encaminhada ao presidente da Comissão de Urbanismo e Obras Públicas da Câmara Municipal, vereador Jorge Bernardi (PDT).
O vereador pretende marcar uma reunião com representantes da secretaria municipal do Meio Ambiente e de associações de moradores do Boqueirão para resolver o problema. ‘‘Quem incomoda são as empresas que estão no meio do bairro’’, diz.
De acordo com levantamento feito pela Associação Amigos do Boqueirão e Associação Moradias Belém, há 611 indústrias no quadrilátero formado pela Avenida Marechal Floriano, Rio Belém, BR-116 e linha férrea.
A presidente da Associação Amigos do Boqueirão, Vanacir Lopes Gomes, diz que uma das áreas críticas situa-se na Rua Aristóteles da Silva Santos. ‘‘Quase todo o final de semana, um caminhão de uma empresa de piche descarrega os resíduos no terreno. O motorista também lava o caminhão com querosene e gasolina’’, descreve.
Um dos vizinhos tomou a iniciativa de limpar este terreno. ‘‘Quando acenderam o fósforo para queimar o lixo, o fogo correu pela área. A vizinhança ficou assustada com a possibilidade de um incêndio no local ’’, conta.
Vanacir afirma que a associação já reclamou várias vezes na prefeitura. Os moradores querem a limpeza dos terrenos transformados em ‘‘lixão’’ e o controle das empresas poluidoras.
A diretora do Departamento de Pesquisa e Monitoramento da Secretaria do Meio Ambiente, Marilza Oliveira Dias, admite que há empresas poluidoras no bairro. Segundo ela, no Boqueirão há grande concentração de empresas de galvanoplastia (de tratamento de superfície metálica). ‘‘Atividades desta natureza poluem o ar e a água’’.
Ano passado, técnicos da secretaria vistoriram e notificaram várias empresas do bairro. Conforme Marilza, a secretaria recebe por mês cerca de 200 denúncias de todas as regiões de Curitiba. Ela não soube dizer quantas se referem ao Boqueirão. A vistoria deve continuar neste ano.

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